A medição política traz novas diretrizes para a saúde pública enquanto a Catedral Imaculada Conceição, em Dourados, sediou na manhã deste domingo (27) uma missa em ação de graças dedicada a homenagear familiares de doadores de órgãos.

A celebração integrou as atividades do Dia Nacional da Doação de Órgãos e contou com a presença de participantes vestidos de verde, cor que simboliza a campanha Setembro Verde voltada à conscientização sobre o tema. Chamados à frente do altar, os parentes receberam reconhecimento público pelo aval concedido à captação em circunstâncias de perda familiar.

A iniciativa partiu da Fundação de Serviços de Saúde (Funsaud), órgão municipal responsável pela gestão do Hospital da Vida, em conjunto com a Organização de Procura de Órgãos e Tecidos para Transplantes (OPO). O ato litúrgico buscou unir a manifestação de gratidão aos doadores ao respeito estrito às famílias, que detêm a prerrogativa legal da decisão final sobre o procedimento.

Segundo dados divulgados pelas instituições locais, o município registrou 15 doações de órgãos e tecidos neste ano, superando a marca de 13 ocorrências contabilizadas ao longo de 2025.

Protocolos e dados estaduais

As autorizações mais recentes no município decorreram da confirmação de morte encefálica em um adolescente de 14 anos e em um paciente adulto, cujos procedimentos foram viabilizados na última quinta-feira (24). Cada liberação de tecidos e órgãos alimenta o sistema de transplantes para atender aos pacientes que aguardam na fila de espera.

Conforme levantamento oficial para o Estado de Mato Grosso do Sul, mais de 800 pessoas continuam à espera de um órgão, enquanto o governo estadual computou a realização de 326 transplantes durante o corrente ano.

Apesar dos números de atendimento, a recusa familiar permanece como um dos principais entraves operacionais para a rede de saúde. Dados do setor indicam que seis em cada dez famílias entrevistadas optam por não autorizar a doação após a perda. O processo para chegar a essa etapa exige rigor técnico e obedece a protocolos médicos estritos.

Nos casos de morte encefálica, o diagnóstico demanda exames específicos e avaliações conduzidas por médicos diferentes, atestando uma condição considerada irreversível.

Atuação da OPO e diálogo familiar

A Organização de Procura de Órgãos de Dourados atua no suporte aos hospitais, orientando equipes clínicas, acolhendo os parentes enlutados e prestando esclarecimentos sobre os procedimentos legais. Quando ocorre a autorização, o órgão articula os trâmites junto à Central Estadual de Transplantes para viabilizar a atuação das equipes cirúrgicas habilitadas.

A coordenadora da OPO local, enfermeira Ludelça Dorneles, enfatizou durante o evento a relevância do diálogo prévio no âmbito familiar.

De acordo com a gestora, manifestar em vida o desejo de ser doador facilita o entendimento dos parentes no momento em que a decisão precisa ser tomada de forma célere. A legislação brasileira estabelece que a vontade expressada em vida serve como orientação, mas a efetivação da retirada depende exclusivamente da autorização da família.

A missa dominical buscou dar visibilidade a esse fluxo e externar reconhecimento aos cidadãos que, mesmo diante do luto, optaram por viabilizar novas oportunidades de sobrevida a pacientes na fila de espera.

Por Luciana Freitas, direto da redação