A medição política traz novas diretrizes para o cenário eleitoral da Região Norte, onde a atual governadora do Acre, Mailza Assis (PP), disputa a permanência no cargo nas urnas. Natural de Mundo Novo, município no extremo sul de Mato Grosso do Sul, a candidata construiu sua trajetória política a mais de 3 mil quilômetros de sua terra natal.
O registro de sua candidatura ao Governo do Acre foi devidamente deferido pela Justiça Eleitoral após um mandato marcado por transições administrativas e passagens pelo Legislativo federal.
A ligação da chefe do Executivo acreano com Mato Grosso do Sul estende-se até os seus 20 anos de idade. Nascida em dezembro de 1976 na cidade fronteiriça com o Paraguai, ela permaneceu no estado sul-mato-grossense durante a infância e a juventude antes de se mudar para o Norte em 1996.
Foi no Acre que a política estruturou sua vida profissional, familiar e partidária, com atuação inicial voltada ao município de Senador Guiomard, na região metropolitana de Rio Branco.
Trajetória legislativa e chegada ao Executivo
A projeção em âmbito nacional ocorreu a partir de 2018, quando assumiu a suplência no Senado Federal com a saída de Gladson Cameli, eleito governador à época. No Congresso, permaneceu na casa legislativa até 2022 e liderou o bloco parlamentar Unidos pelo Brasil.
O período em Brasília consolidou a presença institucional da política antes de retornar ao cenário estadual para compor a chapa majoritária vitoriosa no pleito seguinte.
Nas eleições de 2022, integrou a chapa de Gladson Cameli como candidata a vice-governadora, cargo que garantiu vitória ainda no primeiro turno com 242. 100 votos. Durante a gestão estadual, esteve à frente da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos, ampliando sua atuação na máquina pública.
A transição definitiva para o comando do estado ocorreu em abril de 2026, quando o titular renunciou ao mandato dentro do prazo de desincompatibilização para concorrer ao Senado.
A posse de Mailza Assis registrou um marco histórico ao torná-la a segunda mulher a governar o Acre, quase quatro décadas após Iolanda Fleming assumir o posto em 1986. Agora, a gestora busca validar o mandato nas urnas de forma direta.
A disputa pelo Palácio Rio Branco apresenta cenário competitivo, conforme apontam os levantamentos estatísticos divulgados na reta final da campanha.
Cenário eleitoral e pesquisas de intenção de voto
Dados divulgados pela pesquisa Quaest nos dias 2 e 3 de outubro colocam a atual governadora na liderança da corrida eleitoral, registrando 36% das intenções de voto. O levantamento, que ouviu 1. 800 eleitores e possui margem de erro de dois pontos percentuais, aponta Alan Rick (Republicanos) na segunda posição com 33%, seguido por Tião Bocalom (PSDB) com 16%.
O registro da pesquisa junto ao Tribunal Superior Eleitoral consta sob o número AC-02370/2026.
No recorte de votos válidos, a sul-mato-grossense aparece com 41% da preferência do eleitorado acreano, enquanto o principal adversário contabiliza 37%. Os números indicam a possibilidade concreta de a disputa para o governo estadual estender-se para o segundo turno.
O resultado oficial da apuração deste domingo definirá se a representante originária de Mato Grosso do Sul conquistará um mandato próprio de quatro anos à frente do Executivo acreano.
Por Luciana Freitas, direto da redação




