A medição política traz novas diretrizes para o desdobramento do caso envolvendo José Antônio Pires de Souza, assessor parlamentar do deputado estadual Lídio Lopes (Avante). Detido em flagrante na última quarta-feira (30), ele foi liberado às vésperas do primeiro turno das eleições após decisão judicial que impôs pagamento de fiança equivalente a 20 salários mínimos, totalizando R$ 32,4 mil.
A abordagem policial ocorreu na rodovia MS-180, entre os municípios de Iguatemi e Japorã, após denúncia sobre um veículo em alta velocidade. Durante a vistoria conduzida pela Polícia Militar, os agentes localizaram 11 pacotes de dinheiro em espécie que somavam R$ 127 mil, acompanhados de blocos de material de campanha do parlamentar.
Conforme o boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar, o suspeito conduzia um utilitário esportivo e apresentou nervosismo durante a fiscalização. Além do montante apreendido em notas de R$ 50 e R$ 100, os policiais relataram que o condutor ofereceu a quantia de R$ 5 mil para evitar o encaminhamento à delegacia.
Defesa e fundamentação legal
Durante a audiência de custódia, a defesa técnica fundamentou o pedido de liberdade provisória na ausência de requisitos legais para a decretação de prisão preventiva. Os advogados também pontuaram as condições de saúde do autuado, destacando que ele possui 71 anos e apresenta quadro de comprometimento na coluna vertebral, conforme registrado no inquérito policial.
A decisão proferida pela magistrada apontou que a conversão do flagrante em prisão preventiva não preenchia os critérios estabelecidos nos artigos 312 e 313 do Código de Processo Penal. Com isso, o indiciado obteve o direito de responder ao processo em liberdade, sob cumprimento de medidas cautelares específicas.
Entre as exigências impostas pela Justiça estão a obrigação de comparecer perante a autoridade sempre que intimado e a proibição de alterar o domicílio sem autorização prévia. O investigado também ficou proibido de se ausentar da Comarca por período superior a oito dias sem comunicar o paradeiro oficial às autoridades competentes.
Investigação e desdobramentos
O material apreendido, incluindo o aparelho celular do assessor, foi encaminhado para perícia técnica, tendo a Justiça deferido a quebra de sigilo telefônico. A extração de dados e a análise das informações ficarão a cargo da Polícia Federal e do Ministério Público estadual.
As investigações buscam esclarecer a origem, a destinação final e o propósito do transporte da quantia em espécie, além de apurar a suposta prática de crime eleitoral relacionado à compra de votos. O episódio da oferta de dinheiro aos policiais militares também será investigado de forma autônoma para eventual enquadramento no crime de corrupção ativa.
José Antônio Pires de Souza mantém vínculo profissional com o gabinete do deputado Lídio Lopes desde agosto de 2019 e exerce funções de articulação política em 13 municípios do interior do estado.
A relação político-institucional entre ambos incluiu a concessão do título de Cidadão Sul-Mato-Grossense ao assessor em outubro de 2025, honraria concedida pela Assembleia Legislativa por indicação do próprio parlamentar.
O investigado permanece em liberdade provisória enquanto o inquérito policial prossegue para a conclusão das apurações e o posterior oferecimento de denúncia pelo Ministério Público. Em caso de descumprimento de qualquer uma das cautelares impostas pelo juízo, o decreto de prisão preventiva poderá ser retomado a qualquer momento pelas autoridades judiciais.
Por Luciana Freitas, direto da redação




