Em destaque hoje, episódios históricos revelam que a chamada Coluna da Morte, unidade militar que integrou a Revolta Paulista contra o governo, protagonizou um episódio inusitado ao tentar avançar sobre o município de Três Lagoas.

Comandada pelo oficial João Cabanas, da Força Pública de São Paulo, a tropa partiu da capital paulista com o plano inicial de tomar a cidade, que já contava com forte esquema de defesa.

Diante da resistência esperada nas trincheiras oficiais, os combatentes optaram por uma tentativa de ataque surpresa. No entanto, a movimentação adotou contornos mais próximos de uma festividade do que de uma operação bélica de grande escala, marcada pela marcha descontraída de um dos oficiais que liderava o contingente reduzido de soldados pela região.

Alvoroço e temor na cidade

A aproximação da unidade gerou forte pânico entre os moradores locais. O alvoroço começou quando dois soldados correram pela área urbana anunciando a chegada iminente da tropa ligada à revolta. O cenário de medo agravou-se quando um funcionário da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil avistou uma densa nuvem de poeira se formando na linha do horizonte.

O temor generalizado não estava relacionado aos soldados brasileiros da coluna, mas sim ao boato infundado de que a tropa seria composta por mercenários de origem alemã, húngara e romena. Diante da ameaça percebida, diversos moradores abandonaram suas residências levando pertences básicos, animais de estimação e aves, buscando refúgio longe do trajeto apontado.

O avanço com o instrumento

Dias antes da tentativa de invasão, um tenente identificado como Barbedo havia mapeado os pontos mais vulneráveis das defesas locais. Na madrugada da investida, ele conduzia uma pequena fração de apenas vinte soldados rumo ao perímetro urbano.

Diferente de uma postura estritamente tática, o oficial avançava à frente da tropa dedilhando um cavaquinho. O grupo caminhava sem os cuidados exigidos em uma zona de conflito, parecendo mais convidados para uma celebração do que combatentes em missão militar.

Desfecho do confronto

A marcha descuidada foi interrompida de forma abrupta quando uma descarga de tiros partiu de uma moita próxima. A tropa reagiu correndo em desordem total após poucos disparos efetuados pelas forças de defesa da cidade.

O tenente Barbedo foi atingido e permaneceu no solo, apresentando ferimento grave na cabeça. Após o confronto, os envolvidos realizaram o sepultamento do oficial e o episódio da invasão foi rapidamente deixado para trás, marcando o fim da operação da Coluna da Morte antes mesmo de sua consolidação no município.

Da Redação