A investigação revela novos desdobramentos sobre a segurança jurídica e a atuação de defensores em Mato Grosso do Sul. O advogado Amilton Ferreira, alvo de mandado de prisão cumprido na manhã desta terça-feira, 29 de setembro, foi transferido para o Presídio Militar de Campo Grande.

A detenção ocorreu no âmbito da Operação Obstructio, que investiga o vazamento de dados sigilosos. A ação policial atua como um desdobramento direto da Operação Infiltrados, deflagrada na última quinta-feira pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado).

Segundo dados divulgados pelo Ministério Público Estadual de Mato Grosso do Sul, o inquérito aponta indícios de comunicação criminosa para embaraçar o avanço das apurações. As equipes do Gaeco cumpriram a ordem de prisão temporária contra o suspeito e executaram dois mandados de busca e apreensão.

Movimentação da defesa e próximos passos judiciais

À reportagem do site Midiamax, a advogada Damares Machado confirmou a transferência de seu cliente para o estabelecimento prisional militar. Ela informou que o investigado passará por audiência de custódia nesta quarta-feira, 30 de setembro.

Caso a autoridade judicial mantenha a detenção, a defesa avalia recorrer às instâncias superiores. A equipe jurídica informou que impetrará um pedido de habeas corpus para garantir a liberdade do advogado.

Durante a fase inicial das investigações da Operação Infiltrados, o suspeito atuava na defesa do delegado Hoffman D’Ávila Candido e Souza. O policial civil é apontado pelo Ministério Público como o suposto líder de um esquema de desvio de entorpecentes apreendidos pela Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico).

Contraponto e negação das acusações

O delegado alvo da investigação se apresentou às autoridades na última quinta-feira, na ocasião acompanhado por seu então defensor. A prisão do advogado ocorreu dias depois, sob a suspeita de que ele teria alertado o cliente sobre a iminência da operação policial.

A defesa nega categoricamente qualquer repasse de informações sigilosas. Segundo os representantes legais, o investigado não recebeu avisos prévios sobre as diligências do Gaeco.

Os defensores argumentam que a suspeita recai sobre a atuação profissional e a previsibilidade inerente à advocacia criminal. Para a equipe, a suposição de vazamento decorre da experiência na área jurídica, e não de conduta irregular concreta.

Posicionamento da Ordem dos Advogados

Diante da prisão do profissional, a OAB-MS (Ordem dos Advogados do Brasil de Mato Grosso do Sul) emitiu nota sobre o caso. A entidade máxima da advocacia estadual declarou que adotará todas as medidas cabíveis.

A instituição informou que um procedimento disciplinar interno será instaurado para apurar a conduta no âmbito ético profissional. A medida tramitará em paralelo às investigações conduzidas pelo Ministério Público e pelo Poder Judiciário.

Desdobramento concreto

O futuro processual imediato do investigado depende exclusivamente da deliberação da audiência de custódia marcada para esta quarta-feira. O resultado da sessão definirá se ele responderá aos crimes imputados em liberdade ou sob custódia do Estado.

Por Rafael Dumas, direto da redação