O ciclo agrícola traz sinais de crescimento e exige segurança jurídica não apenas dentro da porteira, mas também nas linhas que dividem os países vizinhos. Bolívia e Paraguai concluíram nesta quarta-feira a demarcação integral de sua fronteira terrestre e fluvial, segundo informações divulgadas pelo portal JD1 Notícias e confirmadas pelo Coxim Agora.

A definição do trecho final ocorreu em La Paz, durante uma reunião técnica da Comissão Mista Demarcadora de Limites. Foram mapeados 3,5 quilômetros críticos localizados às margens do Rio Negro, também conhecido como Otuquis, no sudeste boliviano.

A região demarcada está inserida no bioma do Pantanal, área sensível e alagável compartilhada por Bolívia, Brasil e Paraguai. Para vencer os desafios topográficos do terreno, as equipes empregaram drones de alta precisão e cruzamentos avançados de dados topográficos, conforme apontam os registros do JD1 Notícias.

Com esse marco técnico, a linha divisória entre os dois territórios totaliza cerca de 742 quilômetros. Desse total, 38 quilômetros correspondem a trechos fluviais que exigem monitoramento constante por parte das autoridades aduaneiras e de segurança.

Segurança jurídica para o escoamento

O vice-chanceler boliviano, Carlos Paz, ressaltou que o Paraguai se tornou o primeiro país vizinho com o qual a Bolívia encerra 100% das pendências limítrofes. A estabilização geopolítica impacta diretamente o mercado de grãos e o fluxo logístico sul-americano, barateando custos de exportação para produtores da região.

Associações de classe acompanham o tema de perto, avaliando que rotas comerciais mais claras reduzem gargalos históricos de transporte. A fluidez nas passagens de fronteira diminui o tempo de trânsito para cargas agropecuárias que cruzam o continente rumo a portos estratégicos.

O conflito que deu origem à demarcação foi a Guerra do Chaco, travada entre 1932 e 1935 pelo controle do Chaco Boreal. O tratado de paz assinado em 1938 redesenhou o mapa sul-americano e impôs à Bolívia a perda territorial de aproximadamente 235 mil quilômetros quadrados.

Gestão de riscos e emergências ambientais

Além do impacto econômico no mercado de commodities, a precisão cartográfica melhora a resposta rápida a desastres naturais. O governo boliviano destacou que a demarcação exata facilitará o combate a incêndios florestais e enchentes na faixa de fronteira, conforme detalhou o Coxim Agora.

A embaixada do Paraguai na Bolívia reforçou em nota oficial que o resultado é fruto de diálogo persistente e cooperação técnica mútua. A gestão coordenada entre os governos de Rodrigo Paz e Santiago Peña consolida uma fase de pragmatismo diplomático voltada ao desenvolvimento regional.

A consolidação dessas fronteiras abre caminho para acordos sanitários mais ágeis entre os dois países. Com o ambiente de negócios pacificado, o setor produtivo ganha previsibilidade para planejar investimentos de longo prazo na fronteira agrícola.

Por Bia Fernandes, direto da redação