O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro reuniu-se com representantes do Departamento de Estado norte-americano na última quarta-feira para solicitar a imposição de sanções contra magistrados da Suprema Corte brasileira, conforme divulgado pelo portal JD1 Notícias. A movimentação diplomática busca ativar restrições baseadas na Lei Global Magnitsky direcionadas aos ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Flávio Dino.

A agenda internacional ocorreu exato um dia após o Supremo Tribunal Federal iniciar a apreciação de temas vinculados ao caso Banco Master. A sessão plenária acabou suspensa por causa de um pedido de vista apresentado pelo ministro Flávio Dino. Antes da reunião em solo norte-americano, o político argumentou publicamente que o andamento processual gerou forte insatisfação entre seus aliados políticos.

Articulação e histórico judicial

Residente nos Estados Unidos desde setembro de 2025, o ex-parlamentar mantém interlocução constante com autoridades locais para pressionar o judiciário brasileiro. Em junho de 2026, a Primeira Turma do STF o condenou a quatro anos e dois meses de reclusão em regime semiaberto.

A acusação formal apontou crime de coação no curso do processo, relacionado a investidas para influenciar o julgamento de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Apesar de afastar conexões diretas entre sua ofensiva e o pleito presidencial, o político sugeriu que o governo de Donald Trump poderá implementar novas penalidades caso a Corte rejeite uma eventual vitória eleitoral de seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro, filiado ao PL.

Até o momento, o Departamento de Estado americano não emitiu nenhum pronunciamento oficial confirmando a adoção de medidas punitivas contra os magistrados citados.

Precedentes e impacto institucional

O uso da legislação norte-americana contra autoridades brasileiras já possui antecedentes registrados em 2025, período em que o ministro Alexandre de Moraes figurou temporariamente como alvo de restrições financeiras e migratórias que acabaram revogadas posteriormente. A reiteração desses pedidos em Washington amplia a tensão institucional entre os poderes e mobiliza diferentes correntes no Congresso Nacional.

Analistas políticos avaliam que a estratégia busca internacionalizar o debate sobre os limites de atuação do tribunal superior.

Enquanto a diplomacia dos Estados Unidos avalia os pleitos apresentados pelo ex-deputado, os reflexos dessa pressão chegam aos bastidores de Brasília com forte repercussão entre parlamentares da base governista e da oposição. Lideranças partidárias articulam respostas institucionais para resguardar a soberania do judiciário brasileiro frente a interferências estrangeiras.

A Secretaria de Comunicação do STF tem reiterado em notas oficiais que as decisões da corte seguem estritamente o ordenamento jurídico nacional e a Constituição Federal. A tendência é de que o tema continue dominando o debate político nas próximas semanas, influenciando diretamente o calendário legislativo e a correlação de forças políticas para o próximo ciclo eleitoral.

Por Luciana Freitas, direto da redação