Em destaque hoje, a confirmação do óbito do adolescente de 14 anos encerrou as tentativas de salvamento no hospital de Dourados, onde ele estava internado. O jovem foi a última vítima fatal da chacina registrada na noite de um sábado no distrito de Nova Casa Verde, localizado no município de Nova Andradina, na região do Vale do Ivinhema.
A investigação aponta que a ordem para a execução partiu da facção criminosa Comando Vermelho.
No momento em que dois pistoleiros chegaram ao endereço em uma motocicleta, a residência era ocupada por Daniel Matos Alves, de 32 anos, pela companheira dele, Eliane Franco, de 37 anos, e por três filhos dela: Raíssa Franco, de 21 anos, o adolescente de 14 anos e um menino de cinco anos.
Apenas a criança mais nova foi poupada pelos atiradores. Na fachada do imóvel, os executores deixaram uma pichação com a sigla da organização criminosa.
Conforme os levantamentos periciais, Daniel, Eliane e Raíssa foram atingidos por disparos de arma de fogo na cabeça e nas costas. O adolescente dormia em um dos cômodos da casa e também foi baleado na região cefálica.
Mesmo gravemente ferido, ele apresentava sinais vitais quando a equipe de socorro chegou, sendo encaminhado inicialmente para o hospital local e posteriormente transferido para um centro médico em Dourados.
A morte cerebral do adolescente foi constatada pela equipe médica na noite de quarta-feira. Na tarde seguinte, após autorização formal do pai, os profissionais de saúde realizaram a captação de órgãos, incluindo fígado, rins e córneas, em um hospital particular de Dourados.
O coração também seria doado, mas o procedimento foi cancelado porque o órgão apresentava ausência completa de atividade elétrica e mecânica. A cirurgia de captação durou aproximadamente quatro horas.
A Polícia Civil efetuou a prisão de quatro suspeitos no dia seguinte ao crime. O inquérito policial aponta que a chacina foi ordenada por lideranças da facção durante uma chamada de vídeo realizada com a câmera do celular desligada. Os depoimentos colhidos até o momento indicam que cada um dos envolvidos recebeu tarefas específicas para concretizar o plano de execução.
Entre os detidos está Bruno Gabriel Nunes Rocha, de 19 anos. A Polícia Militar o aponta como o condutor da motocicleta utilizada para transportar o atirador e a arma do crime até a residência. Ele foi interceptado pela Força Tática na rodovia MS-134 portando um revólver calibre 38 com quatro munições, sendo duas delas deflagradas.
O segundo ocupante da motocicleta, conhecido pelo apelido de Pit Bull, conseguiu escapar por uma área de vegetação e continua sendo procurado pelas autoridades policiais.
A linha principal de investigação conduzida pela polícia sugere que a chacina ocorreu como represália pelo assassinato de um integrante do Comando Vermelho identificado como Filipinho, morto dias antes da ocorrência. Essa motivação foi mencionada em depoimento por um dos suspeitos e segue sob apuração rigorosa para confirmar a dinâmica do crime.
Durante as diligências, em cumprimento a mandados de busca, os policiais apreenderam entorpecentes e munições na residência de uma das suspeitas, Karina Aparecida Chuba. No local, foram recolhidos 15 gramas de cocaína e 11 munições de calibre 38.
Em razão disso, ela e Bruno Gabriel também foram autuados em flagrante pelos crimes de tráfico de drogas e posse irregular de arma de fogo.
Da Redação




