Pesquisa recente revela novas evidências sobre o comportamento das arboviroses no Centro-Oeste, onde a Prefeitura de Dourados publicou no Diário Oficial o Decreto número 870/2026 para estender a situação de emergência em saúde pública.

A medida administrativa prolonga por mais noventa dias as ações extraordinárias de combate à epidemia de Chikungunya, conforme dados divulgados pelo Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE).

Segundo informações do Portal de Notícias, o avanço contínuo da doença sobrecarrega estruturas locais de atendimento, exigindo a manutenção de equipes contratadas em caráter emergencial. Unidades Básicas de Saúde como as dos bairros Seleta e Santo André, além da Unidade de Pronto Atendimento, continuam na linha de frente do acolhimento aos pacientes sintomáticos.

Cenário epidemiológico e impactos na região

O Boletim Epidemiológico de Arboviroses referente à 36ª Semana Epidemiológica aponta um total acumulado de 10.588 notificações da doença no município sul-mato-grossense. Desse montante, conforme o COE, 5.233 casos tiveram confirmação laboratorial, enquanto 5.322 suspeitas foram descartadas após exames específicos.

A gravidade do surto reflete-se nos 19 óbitos confirmados em decorrência do vírus até o momento, sendo que 11 das vítimas fatais residiam na Reserva Indígena local. Outros 33 quadros clínicos permanecem em investigação laboratorial, o que demonstra a circulação contínua do patógeno entre a população urbana e rural.

Fatores climáticos e estratégias de prevenção

O planejamento estratégico da prefeitura também considera a chegada iminente do período chuvoso, época que historicamente eleva os índices pluviométricos e propicia a proliferação do vetor Aedes aegypti. A taxa de positividade atual permanece em 49,58%, com taxa de ataque calculada em 1,99%, exigindo rigor nas intervenções sanitárias.

Conforme aponta o secretário municipal de Saúde e coordenador do COE, Márcio Figueiredo, a população precisa manter vigilância redobrada contra criadouros. A eliminação de recipientes com água parada nos quintais e no interior das residências continua sendo a principal forma de interrupção do ciclo de transmissão do vírus.

Retração nos indicadores e dados de dengue

A curva epidêmica monitorada pelas autoridades sanitárias indica uma tendência gradual de regressão nos registros semanais de novos doentes. Nas semanas epidemiológicas compreendidas entre a trigésima e a trigésima quinta, as notificações oscilaram moderadamente, sem atingir os picos de contágio observados no início do ano.

O mesmo relatório epidemiológico detalha a situação da dengue na cidade, que soma 1.406 notificações, com 158 casos confirmados e 303 investigações em andamento. O monitoramento oficial registrou a infecção por dengue em quatro gestantes, embora os registros gerais da doença também apresentem queda expressiva desde o final do primeiro trimestre.

Em um contexto mais amplo de gestão de emergências no estado, decretos de calamidade e portarias federais — a exemplo de medidas adotadas recentemente em Campo Grande segundo o RCN67 — permitem que os municípios acelerem repasses de recursos.

Essa articulação financeira e logística é considerada indispensável para recuperar serviços afetados por crises sazonais e fortalecer a rede pública de atendimento.

Por Maya Santos, direto da redação