A investigação revela novos desdobramentos em torno do caso de uma creche particular em Nova Andradina, município no Mato Grosso do Sul, que interrompeu o funcionamento nesta segunda-feira (21). A suspensão das atividades ocorreu após familiares e uma ex-funcionária formalizarem denúncias graves de supostos maus-tratos infantis no estabelecimento.
Segundo dados divulgados pelo portal g1 MS, o Conselho Tutelar recebeu múltiplos alertas na última sexta-feira (18). Diante da gravidade das informações coletadas, o órgão de proteção acionou imediatamente a Polícia Militar para averiguar a situação no endereço, que funciona em uma residência.
Os relatos que constam no processo apontam práticas severas contra os menores de idade. Entre as acusações detalhadas pelas testemunhas estão agressões físicas, falta de condições básicas de higiene e imposição de alimentação forçada aos pequenos.
Uma ex-funcionária do espaço pedagógico relatou que as crianças dormiam diretamente no chão, sem estrutura adequada. O depoimento também menciona a utilização de um spray de vinagre diretamente no rosto dos menores como forma de punição disciplinar.
Atuação das autoridades policiais
A Polícia Militar confirmou que uma equipe esteve no local para checar as acusações após o chamado do Conselho Tutelar. No entanto, segundo o registro policial, os agentes não constataram nenhuma irregularidade evidente no momento da vistoria presencial.
Apesar da verificação inicial sem flagrante, o caso seguiu os trâmites legais exigidos para situações dessa natureza. Conforme o Conselho Tutelar, o material apurado foi encaminhado formalmente à Polícia Civil e ao Ministério Público para a abertura de uma investigação aprofundada.
O Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente também recebeu a documentação com os relatos colhidos. As autoridades agora buscam ouvir todas as partes envolvidas para determinar a veracidade das acusações de maus-tratos.
Posicionamento do estabelecimento
O espaço pedagógico, identificado em publicações do Jornal da Nova como Espaço Tia Lú, optou por paralisar o atendimento às famílias. A direção da creche informou publicamente que está à disposição da justiça para colaborar com os esclarecimentos necessários.
Representantes da instituição afirmaram que prestarão todos os esclarecimentos exigidos pelos órgãos competentes. A intenção declarada é auxiliar na apuração dos fatos para esclarecer as denúncias feitas por mães e pela ex-colaboradora.
As investigações prosseguem sob sigilo para proteger a identidade das crianças envolvidas e de suas respectivas famílias. Os órgãos de segurança aguardam a conclusão dos laudos e depoimentos para definir os próximos passos do inquérito policial.
Por Rafael Dumas, direto da redação
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