A investigação revela novos desdobramentos na Operação Infiltrados, que apura a atuação de uma organização criminosa integrada por agentes de segurança pública em Mato Grosso do Sul. O delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa apresentou-se à Corregedoria da Polícia Civil durante a tarde desta quinta-feira (24), em Campo Grande.
Segundo dados apurados pelo Correio do Estado, o policial não havia sido encontrado em sua residência no bairro Carandá Bosque durante as diligências cumpridas nas primeiras horas do dia pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).
A ofensiva mobilizou órgãos de segurança para cumprir dezenas de mandados expedidos pela Justiça em Campo Grande, Dourados e Terenos. Conforme o primeiro balanço oficial divulgado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), a operação resultou no cumprimento de mandados de prisão contra nove policiais civis, dois policiais militares e um policial penal.
O esquema investigado centrava-se no desvio e na comercialização de cocaína apreendida, transformando servidores encarregados da lei em fornecedores para o narcotráfico.
Dinâmica do esquema e atuação suspeita
As apurações do Gaeco indicam que os agentes utilizavam a própria estrutura operacional para retirar entorpecentes do controle oficial. O desvio ocorria de duas formas distintas, seja pela subnotificação da quantidade de droga apreendida em ocorrências, seja pela retirada direta de substâncias armazenadas em depósitos de delegacias.
Após a subtração, o material ilícito era repassado a traficantes ligados ao grupo criminoso para recolocação no mercado. Até o momento, o MPMS não divulgou o volume total de entorpecentes desviados nem o montante financeiro movimentado pela organização.
O delegado que se apresentou à tarde possui histórico em unidades especializadas de repressão ao narcotráfico e ao crime organizado na capital sul-mato-grossense. Hoffman D’Ávila passou pela Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) e pelo Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garras), estando lotado recentemente na 6ª Delegacia de Polícia de Campo Grande.
Durante o período em que esteve ausente pela manhã, a defesa sustentou que ele não havia fugido e desconhecia a ordem de prisão, enquanto equipes de investigação analisavam imagens de segurança para verificar se houve vazamento de informações sigilosas.
Monitoramento prévio e prisões conexas
Parte dos servidores públicos alvos da Operação Infiltrados já estava sob monitoramento interno das corregedorias estaduais. Em nota oficial, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) confirmou que os investigados eram acompanhados pelos órgãos de controle.
A pasta informou ainda que três dos agentes alvos da operação já haviam sido presos anteriormente em outras apurações e que outro servidor havia sido desligado recentemente das funções.
As diligências também alcançaram familiares de investigados fora da corporação policial. Mandados foram cumpridos contra parentes de um homem identificado como Lucas da Silva dos Santos, conhecido como LK, que já se encontrava preso antes da deflagração da Operação Infiltrados.
Segundo os órgãos de persecução penal, a mãe, a esposa e as irmãs do detento foram alvo de mandados de prisão por suspeita de envolvimento com o esquema de desvio de drogas.
Após prestar depoimento e passar pelos trâmites na Corregedoria da Polícia Civil, o delegado Hoffman D’Ávila será encaminhado ao Garras, onde permanecerá detido à disposição da Justiça.
A defesa do investigado aguarda a realização da audiência de custódia, prevista para ocorrer no sábado (26), ocasião em que o Poder Judiciário avaliará a legalidade da prisão preventiva e a manutenção da medida cautelar.
Por Rafael Dumas, direto da redação



