A investigação revela novos desdobramentos sobre o caso do empresário Phellipe Rodrigues Nunes de Carvalho, de 40 anos, preso em flagrante pela Polícia Civil na última terça-feira, dia 22 de setembro.
A Justiça de Mato Grosso do Sul concedeu liberdade provisória ao empresário, à esposa dele, Emely Caroline Stopa Lourenço, de 36 anos, e ao funcionário Rhaul Anntony Vidal de Souza, de 23 anos.
A decisão foi proferida pelo juiz Francisco Vieira de Andrade Neto durante audiência de custódia realizada no final da manhã de quinta-feira (24). Segundo dados do portal Campo Grande News, o magistrado reconheceu a gravidade das acusações, mas entendeu que não havia necessidade de manter a prisão preventiva neste momento processual.
Para responder ao processo em liberdade, Phellipe deverá ser monitorado por tornozeleira eletrônica pelo prazo de 180 dias. O empresário também recebeu a proibição de receber em sua residência funcionários da oficina mecânica ou quaisquer pessoas que mantenham vínculo profissional com sua atividade empresarial.
Emely Caroline também cumpre medidas cautelares determinadas pela Justiça estadual. A esposa do empresário está proibida de frequentar a oficina do marido e de manter contato ou receber em sua residência os funcionários do estabelecimento, com foco na restrição em relação a Rhaul.
O funcionário Rhaul Anntony, além de cumprir o monitoramento eletrônico pelo período de seis meses, recebeu proibições específicas impostas pelo juízo. Ele não pode trabalhar com a comercialização de peças usadas de veículos e motocicletas, deve manter distância de Emely e Phellipe e precisa cumprir recolhimento noturno obrigatório.
Investigação e estrutura clandestina
A prisão do trio ocorreu após investigações conduzidas pela Defurv (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Furtos e Roubos de Veículos). O trabalho policial indicou a existência de uma estrutura voltada para o furto, desmanche, ocultação e comércio clandestino de componentes automotivos no Estado.
Durante a operação, os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em imóveis situados no Jardim Monumento e na Avenida Gury Marques. Nas vistorias realizadas em um imóvel residencial e em um depósito contíguo na Rua Francisco Amaral Militão, as equipes localizaram uma passagem dissimulada atrás de um freezer.
A estrutura oculta interligava as duas propriedades fiscalizadas pelas autoridades policiais. No local, os policiais apreenderam mais de 260 peças e componentes automotivos de origem investigada.
Entre o material recolhido estavam 65 motores de motocicletas, sendo que 53 apresentavam numeração raspada ou suprimida. A polícia também encontrou quadros, carenagens, tanques, uma motocicleta com chassi suprimido e um bloqueador de sinal de rastreador, conhecido como jammer.
Na residência do casal, a equipe policial apreendeu ainda uma pistola Glock calibre .380 contendo 21 munições, além de chaves michas. Os materiais foram encaminhados para a perícia técnica da Polícia Civil.
Versão da defesa e denúncia
Em depoimento prestado à polícia antes da audiência de custódia, Phellipe negou a prática de crimes e a origem ilícita do material apreendido. O empresário afirmou que a passagem secreta entre os imóveis servia exclusivamente como depósito para o excesso de estoque de sua loja, a PH Moto Forte.
O suspeito declarou às autoridades possuir notas fiscais relativas às compras das peças localizadas pela polícia. Em relação à arma de fogo encontrada na residência, Phellipe assumiu a posse exclusiva, na tentativa de isentar a esposa de envolvimento com o armamento.
Durante a sessão de custódia com o magistrado, o empresário alegou ter sofrido tortura por parte de um policial civil no momento da abordagem. Diante da acusação, o juiz determinou que a denúncia de agressão seja apurada formalmente pelas corregedorias e autoridades competentes.
O processo principal segue tramitando na Justiça estadual para a apuração dos crimes de receptação qualificada, adulteração de sinal identificador de veículo automotor e posse ilegal de arma de fogo. Os investigados cumprirão as medidas cautelares enquanto respondem aos termos da denúncia em liberdade.
Por Rafael Dumas, direto da redação



