A investigação revela novos desdobramentos sobre a atuação de diplomatas em rotas de contrabando na faixa de fronteira. A Justiça Federal aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) contra Márcio Hanna Hanasi Youssef, ex-vice-cônsul da Síria.
A decisão converte o investigado em réu por crime de descaminho, conforme os registros do processo que tramitam na 2ª Vara Federal de Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul.
O caso teve início em março de 2025, quando o diplomata foi abordado por uma equipe da Polícia Rodoviária Federal (PRF). A fiscalização ocorreu na rodovia BR-463, nas proximidades da linha internacional que separa o Brasil do Paraguai. Conforme os levantamentos da PRF, o suspeito conduzia um veículo oficial vinculado à representação diplomática.
Apreensão no porta-malas
Durante a vistoria veicular, os agentes federais encontraram um carregamento expressivo de mercadorias estrangeiras sem comprovante de regularização fiscal. Segundo informações apuradas pelo portal Midiamax, o compartimento de cargas transportava 576 smartphones da marca Apple, 28 relógios inteligentes do tipo Apple Watch, além de diversas garrafas de vinho e outros relógios de alto padrão.
Nenhum dos itens apresentava nota fiscal ou documentação aduaneira de importação legal. A perícia técnica contabilizou o valor total da carga apreendida em exatos R$ 3.065.406,17. Os cálculos da Receita Federal apontam que apenas os tributos sonegados, somando o Imposto de Importação e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), atingem o montante de R$ 915.930,84.
Fundamentação jurídica
Ao analisar a peça acusatória apresentada pelos procuradores da República, a Justiça Federal identificou elementos suficientes para instaurar a ação penal. A juíza federal substituta Amanda Duarte de Almeida Ferreira assinou a decisão que valida a denúncia.
Segundo a magistrada, os elementos informativos colhidos durante a fase inquisitorial demonstram a materialidade delitiva. A decisão aponta que existem indícios suficientes de autoria, configurando a justa causa necessária para o prosseguimento do processo criminal.
Próximos passos processuais
Com a aceitação da denúncia, o ex-vice-cônsul passa a responder formalmente perante o Poder Judiciário federal. O magistrado responsável pelo caso determinou que o réu mantenha seu endereço residencial permanentemente atualizado nos autos.
Atualmente, o ex-diplomata não exerce mais funções consulares em território sul-mato-grossense e mudou-se para o estado de São Paulo. A instrução criminal seguirá com a citação da defesa e a marcação das próximas orelhas de testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa.
Por Rafael Dumas, direto da redação



