Pesquisa revela novas evidências sobre a condução de inquéritos envolvendo violência infantil e a necessidade de rigor técnico na análise de laudos periciais. A família de Ayla Godoy de Oliveira manifestou preocupação com o andamento das investigações e cobra maior transparência das autoridades policiais.
Segundo relatos de uma familiar que preferiu não se identificar, os pais da criança, Ashley Alves Godoy e Thiago de Oliveira Alves, deixaram a prisão preventiva e cumprem medidas cautelares com uso de tornozeleiras eletrônicas.
De acordo com as informações divulgadas pelo portal JD1 Notícias, os dois estariam residindo novamente no mesmo endereço onde a criança vivia antes da internação. A familiar aponta lacunas na coleta de provas materiais e testemunhais.
Conforme os dados apresentados, o aparelho celular de Ashley ainda não teria sido recolhido para perícia técnica, e parentes próximos da vítima aguardam formalmente a convocação para prestar depoimento à polícia.
Os familiares também contestam a conclusão preliminar de broncoaspiração apontada por um dos laudos periciais aos quais tiveram acesso. A contestação baseia-se na presença de múltiplas lesões externas e internas identificadas no corpo da bebê durante o atendimento médico hospitalar.
Na época em que Ayla deu entrada na unidade de saúde, equipes médicas registraram diversos hematomas e exames de imagem comprovaram a existência de fraturas na região das costelas.
Investigação criminal e mudança na tipificação penal
Em julho, o inquérito policial passou a tramitar com a acusação formal de homicídio doloso qualificado contra Ashley e Thiago. A alteração na tipificação ocorreu após a análise inicial de laudos periciais que evidenciaram a gravidade das lesões sofridas pela criança.
O cenário processual levou o Poder Judiciário a reavaliar a situação prisional dos investigados, substituindo a custódia fechada pelo monitoramento eletrônico.
A gravidade do caso mobilizou parentes e redes de apoio, que temem a estagnação do processo investigativo. "Viemos a público porque o nosso maior medo agora é o silêncio", declarou a familiar ao portal JD1 Notícias. A manifestação pública reforça a exigência de celeridade na emissão dos laudos definitivos e na responsabilização judicial de eventuais culpados pelo óbito da menina.
Contexto de saúde pública e prevenção de agravos
O rigor na apuração de casos de violência infantil dialoga com diretrizes de vigilância em saúde e proteção à infância estabelecidas por órgãos oficiais. Especialistas em saúde pública ressaltam que a identificação precoce de traumas físicos em unidades hospitalares aciona protocolos obrigatórios de notificação compulsória.
A atuação célere entre hospitais, conselhos tutelares e forças policiais é apontada por estudos da área médica como essencial para a preservação de provas e proteção de menores em situação de vulnerabilidade.
Enquanto o inquérito policial segue em andamento na capital sul-matogrossense, a família aguarda os próximos passos da instrução criminal para que o caso seja remetido ao Ministério Público. Os desdobramentos dependem da conclusão dos exames periciais complementares solicitados pelas autoridades encarregadas da investigação.
Por Maya Santos, direto da redação



