A investigação revela novos desdobramentos sobre um esquema de fraudes que utilizava a fachada de pecuária sustentável no Pantanal para encobrir crimes em Mato Grosso do Sul. Relatórios da Polícia Federal apontam que o gado certificado sob critérios ecológicos enfrentava situação de abandono e desnutrição em uma propriedade rural do estado.

Segundo informações apuradas pelo jornal Correio do Estado, a apuração policial identificou uma rede complexa que combinava auditorias superficiais e emissão de notas fiscais frias. Esse mecanismo permitia burlar normas de controle ambiental e comercializar carne bovina com o selo verde de forma irregular.

A investigação ganhou força com os desdobramentos da Operação Ultima Ratio, que colocou sob escrutínio operações financeiras e a atuação de agentes públicos na região. Documentos reunidos pelas autoridades indicam que o esquema contava com facilidades burocráticas obtidas por meio de fraudes documentais sistemáticas.

Es esquema criminoso

Os desdobramentos da operação policial também cruzam com investigações sobre desvios em outros setores cruciais do estado. Reportagem veiculada pelo programa Fantástico, da TV Globo, e repercutida pelo portal JD1 Notícias, detalhou a atuação de redes criminosas envolvendo empresários, profissionais da saúde e operadores jurídicos em fraudes em Mato Grosso do Sul.

De acordo com os dados divulgados na cobertura jornalística, o modus operandi dessas organizações criminosas utilizava influências em diferentes esferas de poder para acobertar práticas ilícitas. No caso específico do setor agropecuário, a suspeita central recai sobre a comercialização de sentenças judiciais e decisões administrativas favoráveis.

Autoridades policiais apontam que o esquema de venda de sentenças servia para blindar propriedades autuadas por irregularidades ambientais e trabalhistas. Dessa forma, fazendas que mantinham gado em condições inadequadas conseguiam certidões de regularidade para continuar operando no mercado de carne sustentável.

Auditorias sob suspeita

A verificação dos órgãos de segurança demonstra que as auditorias responsáveis por conceder os selos de sustentabilidade falharam de maneira sistemática. Peritos da Polícia Federal analisaram registros que mostram incompatibilidade entre o volume de animais declarados e a capacidade real de suporte das pastagens na propriedade investigada.

Conforme os registros da investigação, a fome e o abandono dos bovinos certificados contradizem diretamente os parâmetros exigidos pelo mercado de carne verde. O cruzamento de dados fiscais e relatórios de campo evidenciou que os documentos ambientais eram emitidos sem a devida checagem física dos lotes de gado.

A Superintendência da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul informou que os inquéritos continuam em andamento para identificar todos os beneficiários do esquema. Novas fases da operação devem analisar o fluxo financeiro entre os auditores, os proprietários rurais e os operadores jurídicos suspeitos de intermediarem as decisões favoráveis.

Por Rafael Dumas, direto da redação