A investigação revela novos desdobramentos sobre a mobilização policial registrada no bairro Jardim Noroeste, na capital sul-matogrossense, onde um recém-nascido foi dado como desaparecido pelos próprios responsáveis. O caso veio à tona por volta das 4h50, quando equipes da Polícia Militar atenderam a uma denúncia de abandono de incapaz envolvendo um lactente de apenas três meses.
Segundo o boletim de ocorrência registrado pelas autoridades de segurança, a mãe da criança retornou para casa durante a madrugada apresentando sinais evidentes de embriaguez e sem o bebê. Familiares que estavam no local confirmaram a ausência da criança aos policiais militares que atenderam à ocorrência.
Em seu relato inicial aos agentes, a mulher afirmou que havia saído para participar de uma festa e deixado o filho sob os cuidados do companheiro. Conforme a versão apresentada por ela, o homem teria levado o recém-nascido para a residência da bisavó.
No entanto, a checagem imediata realizada pela polícia desmentiu a versão da mãe. Ao ser contatada pelas equipes, a familiar indicada negou veementemente ter recebido a criança em sua residência, o que agravou o cenário de incerteza sobre o paradeiro do bebê.
Diligências e versões contraditórias
Diante do impasse e da gravidade da situação, os policiais conduziram a mãe inicialmente para a delegacia de polícia. Na sequência, as diligências continuaram em outro endereço localizado no mesmo bairro para localizar o pai do recém-nascido.
Conforme o registro policial, o homem também apresentava sinais visíveis de embriaguez no momento da abordagem. Questionado pelas equipes de segurança sobre o paradeiro do filho, ele declarou que não havia tido qualquer contato com o bebê naquela data e que desconhecia totalmente onde a criança poderia estar.
A falta de informações coordenadas entre os genitores intensificou a mobilização das forças de segurança na região. O caso passou a ser tratado com prioridade máxima pelas autoridades policiais devido ao risco iminente à integridade física do menor.
Resgate e atuação de órgãos de proteção
De acordo com informações repassadas pelo delegado Matheus Crovador, o bebê acabou sendo localizado posteriormente pela Polícia Militar em diligências contínuas. A ação rápida evitou consequências mais graves para a criança, cujos dados de identificação foram preservados conforme as normas de proteção à infância.
Após o resgate bem-sucedido, os procedimentos legais exigiram a mobilização de órgãos de apoio técnico e pericial. O Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol) e o Conselho Tutelar foram acionados para acompanhar a ocorrência e adotar todas as medidas cabíveis de proteção ao menor.
O estado de saúde atual do bebê não foi detalhado pelas autoridades policiais ou pelos órgãos assistenciais que atenderam à ocorrência. As investigações sobre a dinâmica do caso continuam sob responsabilidade da Polícia Civil, que apura formalmente a conduta dos suspeitos.
Desdobramentos judiciais
Com a localização do recém-nascido e a confirmação das divergências nos depoimentos, a prisão em flagrante do casal foi efetivada sob a suspeita do crime de abandono de incapaz. Os suspeitos permaneceram à disposição da Justiça para a realização da audiência de custódia.
O Conselho Tutelar informou que acompanhará o desdobramento do inquérito policial e avaliará as condições de segurança para a permanência da criança na célula familiar. As autoridades reforçaram que denúncias de omissão ou negligência envolvendo menores podem ser feitas anonimamente pelos canais oficiais de segurança pública.
Por Rafael Dumas, direto da redação



