A investigação revela novos desdobramentos sobre o homicídio de Vitor Orsini, de 19 anos, morto por engano dentro da loja de veículos do pai em Dourados. Marcos Antonio Olmedo Vera, de 23 anos, foi preso pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) na manhã de domingo (27), em Corumbá, conforme dados divulgados pelo Portal de Notícias.

O suspeito estava foragido desde o mês de agosto e foi localizado durante uma abordagem de rotina no quilômetro 707 da BR-262. Marcos viajava como passageiro de uma picape Chevrolet Montana azul quando o automóvel foi interceptado pelos policiais rodoviários federais por volta das 6h40.

Durante a fiscalização veicular, o jovem afirmou não portar documentos de identificação físicos ou digitais. A equipe policial solicitou os dados pessoais verbalmente e, após realizar consultas nos sistemas de segurança pública, constatou a existência de um mandado de prisão em aberto contra ele.

Prisão e encaminhamento

O suspeito recebeu voz de prisão ainda no local da abordagem e foi conduzido à Delegacia de Polícia Civil de Corumbá. O motorista do veículo também foi levado à unidade policial para prestar esclarecimentos sobre a viagem, mas acabou liberado em seguida.

A corporação rodoviária já integrava as equipes de segurança que auxiliavam nas buscas pelos foragidos vinculados ao caso. A captura em Corumbá acontece pouco mais de trinta dias após o crime, período em que o inquérito policial foi concluído e remetido ao Poder Judiciário.

Em setembro, a denúncia criminal apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul foi aceita integralmente pela Justiça. Com a decisão, cinco adultos passaram oficialmente à condição de réus na ação penal que apura a execução do jovem em Dourados.

Dinâmica do crime

Vitor Orsini foi assassinado no dia 7 de agosto na revenda de veículos onde trabalhava com o pai, situada na Avenida Hayel Bon Faker. O Setor de Investigações Gerais (SIG) concluiu que o rapaz não possuía qualquer envolvimento com a dívida que motivou a ação criminosa e foi baleado por engano.

A emboscada foi estruturada para atingir outro homem, que compareceria ao estabelecimento comercial para uma suposta negociação envolvendo uma caminhonete Toyota Hilux SW4. O encontro simulado serviu como isca, mas o alvo principal não chegou no horário combinado por ter se atrasado em compras com a esposa.

Sem conhecer pessoalmente a vítima pretendida, os executores confundiram Vitor com o homem procurado pela facção criminosa. Dois suspeitos chegaram ao local em uma motocicleta Honda Biz, sendo que o piloto aguardou do lado de fora enquanto o comparsa entrou na loja e efetuou os disparos.

Envolvimento dos réus

A apuração policial relaciona o plano homicida a uma dívida financeira estimada em trezentos mil reais. A denúncia aponta que Marcos Antonio e Jeferson Lopes foram responsáveis por transportar os dois executores desde a cidade de Ponta Porã até Dourados, além de monitorarem a região próxima ao estabelecimento.

Marcos também é acusado formalmente de ter fornecido a pistola de calibre 9 milímetros utilizada para cometer o homicídio. Com a captura do jovem na rodovia federal em Corumbá, Jeferson Lopes, de 31 anos, conhecido como Boy, permanece como o único dos cinco adultos denunciados que continua foragido.

Os demais envolvidos na ação penal incluem Cláudio Henrique de Arruda, apontado como mandante; Denis Barbosa de Melo, acusado de efetuar os tiros; e Alexsander Gonçalves Borges, motorista da motocicleta. Os três já estavam presos preventivamente e foram transferidos para a Penitenciária Estadual Masculina de Regime Fechado da Gameleira II, em Campo Grande.

Desdobramentos judiciais

Mesmo com a denúncia recebida pela Justiça sul-matogrossense, as diligências investigativas prosseguem para esgotar todas as circunstâncias do crime. As autoridades policiais trabalham agora na identificação da origem de uma transferência bancária via Pix enviada a um adolescente de 17 anos, que teria furtado a moto usada na fuga.

O andamento processual também prevê a análise de relatórios detalhados obtidos a partir de quebras de sigilo telefônico e dados de geolocalización. A polícia ainda deve ouvir motoristas de aplicativo que prestaram serviços de transporte aos suspeitos durante os dias em que a execução foi planejada e executada.

Por Rafael Dumas, direto da redação