O cenário econômico mostra sinais de impacto direto nas relações de trabalho com o lançamento, nesta quinta-feira (24), do livro "Cortes Silenciadas", escrito pela servidora pública Fernanda Baldo. O evento ocorre às 18h30, no auditório do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, localizado em Campo Grande.
A obra é fruto de uma pesquisa de mestrado em Administração Pública desenvolvida na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Durante o estudo acadêmico, a autora mapeou a situação em 27 Tribunais de Justiça estaduais do país.
O levantamento apontou uma lacuna importante na gestão de pessoal do setor público. Conforme os dados apurados, há uma escassez generalizada de espaços estruturados para o acolhimento e a orientação de servidores que enfrentam episódios de violência psicológica e assédio.
Impacto no mercado de trabalho
A investigação acadêmica resultou em mudanças práticas na administração pública estadual. A partir dos achados da pesquisa, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul implantou um Núcleo de Acolhimento voltado à prevenção de riscos psicossociais e de práticas abusivas.
Segundo informações divulgadas pelo Portal de Notícias JD1 Notícias, a medida tornou o tribunal sul-mato-grossense o pioneiro no país a contar com uma estrutura específica desse porte dentro do Judiciário estadual. O investimento institucional em saúde mental busca mitigar o absenteísmo e os custos operacionais associados ao afastamento de trabalhadores.
O livro também detalha como o temor de retaliações corporativas e a desconfiança nos canais tradicionais de Ouvidoria alimentam a cultura do silêncio. Sem o suporte adequado, os profissionais tendem a acumular prejuízos à saúde física e mental, o que afeta diretamente a produtividade no serviço público.
Dados e regulamentação
A discussão sobre o clima organizacional ganha urgência diante dos números registrados nos órgãos de controle trabalhista. Dados do Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região indicam que o estado acumulou 1.116 novos processos judiciais referentes a assédio moral no ano de 2025.
No mesmo período, a Justiça do Trabalho registrou 125 ocorrências formais de assédio sexual em âmbito regional. Para a autora da pesquisa, comportamentos sutileza como o isolamento intencional, a desqualificação de entregas e a imposição de metas inexequíveis configuram assédio e exigem identificação precoce pelos gestores.
A publicação da obra coincide com exigências mais rigorosas de conformidade corporativa trazidas pelas atualizações da Norma Regulamentadora número 1, a NR-1. As diretrizes federais agora obrigam as organizações públicas e privadas a gerenciarem os riscos psicossociais no ambiente laboral.
O desdobramento prático dessa agenda inclui a adaptação de rotinas de liderança e a capacitação de equipes de Recursos Humanos para lidar com conflitos internos antes que cheguem à esfera judicial. A venda dos exemplares e o debate sobre governança e saúde do trabalhador seguem programados para a solenidade desta noite na capital.
Por Camila Rocha, direto da redação



