Quarenta e seis parlamentares democratas assinaram um documento protocolado nesta quinta-feira em Washington. A ofensiva busca pressionar a gestão do secretário de Defesa, Pete Hegseth, por informações financeiras precisas a respeito das operações militares contra o Irã.

A iniciativa foi liderada pela senadora Elissa Slotkin, do estado de Michigan. O grupo aponta falhas na divulgação de dados pelo Departamento de Defesa e reclama da falta de clareza sobre o impacto fiscal real do conflito.

Até o momento, o Pentágono apresentou estimativas parciais sobre os gastos acumulados. No entanto, o departamento evitou detalhar valores necessários para reparar danos estruturais em bases militares, repor ativos navais e aéreos destruídos, ou reformar equipamentos desgastados após sete meses de hostilidades.

O pedido ocorre no momento em que o Congresso analisa uma solicitação adicional de 67 bilhões de reais (em conversão direta do orçamento suplementar americano) feita pela pasta da Defesa. Legisladores democratas e alguns republicanos demonstram insatisfação com os rumos da guerra e com o nível de detalhamento fornecido pelas autoridades militares.

Na carta enviada a Hegseth, os parlamentares criticam a postura da atual administração. O texto destaca que o Executivo tem se recusado a compartilhar informações básicas que administrações anteriores, tanto republicanas quanto democratas, repassavam ao Congresso e à opinião pública durante períodos de guerra.

Apenas o senador John Fetterman, da Pensilvânia, optou por não assinar o documento. Conhecido por divergir frequentemente da liderança de seu partido, Fetterman reiterou apoio às ações direcionadas contra o regime iraniano.

O Ministério da Defesa norte-americano não apresentou manifestação imediata sobre o teor das cobranças. Contudo, relatórios recentes emitidos por órgãos de controle adicionaram pressão ao debate econômico e político em torno do conflito.

O inspetor-geral do Pentágono divulgou recentemente um balanço que aponta um déficit em estoques de munições. O mesmo documento calculou os custos da guerra em aproximadamente 33 bilhões de dólares até o final de junho, sem incluir despesas com recuperação de instalações danificadas.

Em paralelo, o Escritório de Orçamento do Congresso estimou os gastos em 38 bilhões de dólares. A mesma análise apontou que o conflito exerce forte pressão inflacionária sobre a economia doméstica e o poder de compra dos cidadãos.

Durante uma audiência no final de julho, o secretário Hegseth avaliou os desembolsos até então em 37,5 bilhões de dólares. A conta apresentada por ele englobava custos operacionais, manutenção, folha de pagamento e previsões financeiras para o encerramento do ano fiscal.

Além do balanço financeiro, a bancada exige um detalhamento sobre o destino de recursos anteriores. O grupo quer saber como foram aplicados os cerca de 34 bilhões de dólares aprovados no pacote fiscal sancionado pelo presidente Donald Trump no ano passado.

Os signatários também protestaram contra a escassez de audiências públicas e briefings oficiais. A carta compara a postura atual com o início da Guerra do Iraque em 2003, quando o então secretário de Defesa Donald Rumsfeld compareceu dezenas de vezes perante o Congresso e a imprensa no primeiro mês de confrontos.

Em contraste, os parlamentares apontam que Hegseth compareceu ao Capitólio poucas vezes no mesmo intervalo correspondente. Nas ocasiões em que houve diálogo, segundo o documento, as respostas sobre objetivos estratégicos e custos operacionais foram consideradas evasivas.

O pedido de fundos suplementares enviado pelo Pentágono também virou alvo de críticas pelo formato resumido. Enquanto em conflitos passados os relatórios detalhados superavam uma centena de páginas, a atual solicitação de 67 bilhões de dólares limitou-se a sete páginas com referências genéricas.

A cobrança institucional agora aguarda uma resposta formal do comando da Defesa americana. A tendência é que o debate sobre os limites orçamentários da guerra ganhe intensidade nas próximas sessões de votação no Congresso.

Da Redação