A medição política traz novas diretrizes para o cenário institucional em Mato Grosso do Sul, onde a taxa de ausência nas urnas alcançou 23,9%, índice considerado o maior do país durante o pleito.

Segundo dados divulgados pelo jornal A Crítica de Campo Grande, o desinteresse e o cansaço do eleitor refletiram diretamente na dinâmica democrática, fazendo com que de cada dez eleitores, dois deixassem de votar no primeiro turno.

O levantamento aponta que os ausentes no estado equivalem ao total do eleitorado da Argentina. Do total de 634 mil eleitores que não escolheram entre os candidatos finalistas ao governo e à presidência, 483 mil simplesmente não compareceram aos locais de votação.

Esse comportamento aponta para uma apatia generalizada decorrente do cenário socioeconômico nacional e do descrédito em relação às instituições dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

Tensões institucionais e novas pautas

A convivência na próxima legislatura já demonstra sinais de atrito entre figuras tradicionais da política estadual. Conforme as análises do veículo campo-grandense, o tom das relações entre o deputado Zeca do PT e o vereador e deputado eleito Salineiro preocupa devido a episódios de embates verbais.

O jornal destaca que o parlamentar petista utilizou termos severos contra o colega durante discussões na Casa de Leis.

Em contrapartida, novos e antigos parlamentares já articulam as prioridades para o próximo mandato no legislativo estadual. O deputado coronel Davi classificou as pautas legislativas como essenciais para a sobrevivência dos parlamentares.

Já o deputado eleito Odilon Ribeiro sinalizou que concentrará sua atuação na defesa do Pantanal, enquanto a deputada eleita Gianni Nogueira pretende direcionar seu mandato para as questões sociais e para a saúde pública na região de Dourados.

Vácuos regionais e reconfiguração de forças

A dinâmica eleitoral também provocou mudanças significativas na representatividade de importantes regiões do interior sul-matogrossense. A não reeleição do deputado Junior Mochi deixará um vácuo político na região norte, historicamente liderada politicamente a partir de Coxim. Diante do resultado, Mochi avalia o retorno à advocacia em Campo Grande, embora já articule nomes locais para reiniciar um projeto de liderança regional.

No campo do crescimento partidário, o pleito registrou marcas expressivas para lideranças ligadas à direita no estado. Marcos Pollon expandiu sua base eleitoral de maneira expressiva em relação ao pleito anterior, saltando para mais de 140 mil votos totais e ampliando sua votação na capital. O desempenho consolidou o crescimento do grupo bolsonarista no mapa político sul-matogrossense.

Destaques municipais e desdobramentos

No âmbito dos municípios, o desempenho eleitoral variou conforme a capacidade de mobilização das lideranças locais. O prefeito de Paraíso das Águas destacou-se por comandar a maior votação proporcional do estado para o candidato Riedel, além de garantir ampla vantagem para os nomes alinhados à sua base nos demais cargos em disputa.

Os desdobramentos dessas movimentações indicam que a próxima legislatura e a gestão estadual iniciarão os trabalhos sob a pressão de reconquistar a confiança do eleitorado. A superação dos índices recordes de abstenção e a acomodação das novas bancadas serão determinantes para a estabilidade institucional no estado nos próximos anos.

Por Luciana Freitas, direto da redação