Sete em cada dez eleitores norte-americanos avaliam que a administração do presidente Donald Trump não possui uma estratégia clara para encerrar o conflito com o Irã. O dado faz parte de uma nova pesquisa nacional divulgada nesta semana, que aponta o desgaste na opinião pública após quase sete meses de hostilidades no Oriente Médio.

A rejeição à condução da crise ultrapassa divisões partidárias tradicionais. O percentual daqueles que cobram um plano definido abrange 95% dos democratas, 83 dos eleitores independentes e 43% dos republicanos.

Especialistas em opinião pública apontam que a ausência de tropas em solo e a falta de uma argumentação consistente por parte do Executivo explicam a apatia ou oposição popular. Diferente de crises internacionais anteriores, o público não demonstra coesão em torno da Casa Branca.

Percepção de segurança

O levantamento também registra um aumento na parcela da população que acredita que as hostilidades tornam o país menos seguro a longo prazo. Atualmente, 47% dos entrevistados compartilham dessa visão, um crescimento em relação aos 39% registrados em abril.

A preocupação com a segurança nacional é mais expressiva entre eleitores brancos, independentes e cidadãos com menos de 45 anos. Em contrapartida, 32% avaliam que a intervenção traz mais segurança, enquanto 20% não apontam mudanças significativas.

No balanço geral sobre a decisão de iniciar as operações militares, 60% classificam a medida como um equívoco. Apenas 37% defendem a ação como correta, ampliando a margem de descontentamento para 23 pontos percentuais em comparação com levantamentos anteriores.

Impacto político e economia

O desgaste na política externa reflete-se na avaliação geral da gestão presidencial, cuja aprovação está fixada em 39%, enquanto a rejeição alcança 61%. Na área específica de relações internacionais, os índices do presidente recuaram para patamares comparáveis aos momentos mais críticos de seu primeiro mandato.

Apesar da centralidade do conflito no noticiário, as prioridades imediatas do eleitorado permanecem concentradas na economia. Apenas 4% da população apontam o Irã como o principal problema do país, e a política externa em geral é citada por apenas 1%.

O custo de vida lidera as preocupações de 34% dos entrevistados. Esse cenário de prioridades econômicas tem beneficiado a oposição democrata na percepção pública sobre competência em política externa.

Reconfiguração militar

Paralelamente ao debate político interno, o Departamento de Defesa avalia mudanças estratégicas na presença militar global. Discussões em curso no Pentágono envolvem a retirada de dezenas de milhares de soldados estacionados na Europa.

A proposta de realinhamento de forças faz parte de um plano de revisão estratégica de segurança. O impacto dessa possível movimentação ainda é analisado por estrategistas militares e parlamentares em Washington.

Da Redação