A investigação revela novos desdobramentos sobre a Operação Infiltrados, após a Justiça de Campo Grande negar os pedidos de liberdade para quatro suspeitos de integrar um esquema de desvio de drogas apreendidas. A manutenção das prisões preventivas atinge dois investigadores da Polícia Civil, um empresário e um jovem de 19 anos, conforme as decisões publicadas no Diário da Justiça.
As solicitações de revogação das custodias foram rejeitadas pelo Poder Judiciário, mantendo o grupo encarcerado enquanto o processo principal tramita na instância competente.
As medidas restritivas alcançam os policiais civis Marcos André Santos Chaves, lotado na 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, e Nilton Cesar Sales dos Santos, de 55 anos, vinculado à Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos. Também permanecem presos o empresário Matheus Gabriel Machado Bezerra, de 29 anos, e Kayon Lucas Leodoro da Silva, de 19 anos.
Embora os pleitos de soltura tenham sido analisados de forma individual pelos magistrados, todos os réus respondem pelos mesmos crimes apontados na investigação conduzida pelo Ministério Público estadual.
Atuação do Gaeco
Segundo dados do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, a denúncia formalizada atinge um total de 23 pessoas envolvidas nas práticas ilícitas. O órgão de persecução penal aponta que o esquema contava com a participação ativa de agentes públicos que utilizavam suas prerrogativas funcionais.
A investigação detalha que o grupo retirava entorpecentes de depósitos oficiais para reinserir o material no mercado clandestino de drogas.
Os registros da acusação indicam que cerca de 637 quilos de substâncias entorpecentes teriam retornado à circulação por meio da atuação da rede criminosa. O montante desviado abastecia traficantes locais, evidenciando o comprometimento da estrutura de segurança que deveria custodiar os materiais apreendidos em operações policiais.
Diante da gravidade dos fatos narrados na denúncia, o Gaeco cobra o pagamento de R$ 10 milhões referentes aos danos morais coletivos causados à sociedade.
Tramitação processual
As decisões que negaram a liberdade aos quatro investigados foram registradas nos extratos oficiais publicados pela Justiça, embora os fundamentos jurídicos detalhados dos despachos não tenham constado nas publicações resumidas. A defesa dos acusados tentava reverter as prisões preventivas alegando excesso de prazo ou falta de contemporaneidade, mas os argumentos foram descartados pelos magistrados responsáveis pela condução do caso.
Com a manutenção das prisões, o processo principal da Operação Infiltrados segue para a fase de instrução criminal, onde serão ouvidas testemunhas de acusação e de defesa. Os 23 denunciados responderão pelos crimes de organização criminosa, tráfico de drogas e corrupção, conforme as tipificações apontadas pelo Ministério Público nas peças acusatórias.
O andamento da ação penal continuará sob monitoramento das autoridades de segurança e do Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul.
Por Rafael Dumas, direto da redação




