Pesquisa revela novas evidências sobre a gravidade da crise administrativa na Santa Casa de Campo Grande, onde a Justiça determinou a nomeação do médico Luiz Alberto Kanamura como gestor provisório do hospital pelo prazo inicial de 180 dias, segundo informações do Portal de Notícias.

A medida, assinada pelo juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, busca preservar a continuidade dos atendimentos de saúde à população após desdobramentos policiais recentes.

A intervenção judicial ocorre um dia depois de o vice-presidente Heitor Rodrigues Freire assumir interinamente a direção da instituição, conforme apontado pelo Portal de Notícias. A troca na liderança anterior aconteceu em decorrência da prisão de Alir Terra durante a Operação Antidotum, deflagrada pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção.

Impacto financeiro e investigações

Segundo dados do Portal de Notícias, as investigações apontam indícios de fraudes e desvios de recursos públicos em contratos firmados pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande. O principal foco de apuração envolve um acordo de digitalização de prontuários médicos avaliado em R$ 5,4 milhões, com vigência prevista de três anos.

A investigação conduzida pelo Gecoc indica que o contrato previa repasses anuais de R$ 1,8 milhão, mas identificou pagamentos elevados sem a devida execução dos serviços. De acordo com os órgãos de investigação citados pelo Portal de Notícias, apenas no primeiro ano de vigência, o prejuízo estimado com o suposto desvio atingiu R$ 1,4 milhão.

Novos rumos na administração

O grupo anticorrupção também detectou irregularidades em acordos firmados pela Operadora Santa Casa Saúde, controlada pela associação hospitalar, com empresas do mesmo grupo econômico. Os estabelecimentos investigados pertenciam a um indivíduo com ligações diretas com a diretoria da Santa Casa e estavam registrados em um endereço que, conforme o Portal de Notícias, encontrava-se totalmente desocupado.

Diante do cenário de instabilidade financeira e operacional que ameaçava a assistência médica, o magistrado optou pela intervenção técnica. Profissional com longa trajetória na instituição, Kanamura já havia assumido a superintendência técnica hospitalar dias antes da decisão judicial e agora acumula a gestão administrativa total.

Próximos passos da intervenção

Durante o período de vigência da intervenção, que pode ser prorrogada por igual período conforme a necessidade avaliada pelo tribunal, o novo gestor terá obrigações formais rigorosas. Segundo dados do Portal de Notícias, o médico deverá encaminhar relatórios mensais detalhados ao Poder Judiciário.

Esses documentos precisarão demonstrar a real situação operacional da entidade de saúde e apresentar os avanços das medidas de reorganização administrativa adotadas pela nova gestão. A exigência busca assegurar transparência na aplicação dos recursos e estabilidade no atendimento aos pacientes do sistema de saúde.

Por Maya Santos, direto da redação