Pesquisa revela novas evidências sobre a crise financeira que afeta a Santa Casa de Campo Grande, onde o novo gestor, Luiz Alberto Kanamura, estabeleceu a meta de reduzir em 20% a folha de pagamento do hospital. A medida integra um plano de reestruturação exigido após o afastamento imediato de 19 membros da diretoria corporativa e do conselho de administração.

A decisão judicial foi assinada pelo juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos. O magistrado colocou Kanamura no comando da instituição inicialmente por 180 dias, prazo que pode ser prorrogado caso haja necessidade para a estabilização administrativa.

Plano de redução de despesas

Segundo apuração do jornal Correio do Estado, a meta de corte de gastos incide diretamente sobre os funcionários contratados pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho. Os profissionais vinculados como pessoas jurídicas ficaram de fora desta etapa específica de contenção de despesas operacionais.

A medida foi debatida em reuniões recentes com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, a Secretaria de Estado de Saúde e a Secretaria Municipal de Saúde. O objetivo central do planejamento é adequar a operação para estancar o déficit de fluxo de caixa acumulado ao longo dos últimos anos.

Balanços financeiros divulgados pelo hospital demonstram um cenário de endividamento severo que motivou a intervenção na instituição. No balanço de 2025, os empréstimos bancários somavam mais de R$ 261,7 milhões, com taxas de juros que alcançavam 1,85% ao mês.

Controle judicial e auditorias

A determinação da Justiça proíbe expressamente a nova gestão de contrair novos empréstimos bancários sem o aval conjunto do Poder Judiciário, do Município e do Estado. O deficit acumulado pela entidade supera a marca de R$ 544 milhões, enquanto os impostos em atraso parcelados somam R$ 189,817 milhões.

Como parte das exigências legais, Kanamura deve apresentar mensalmente prestações de contas detalhadas sobre a situação contábil, administrativa e operacional. O relatório precisa abranger a aplicação de recursos públicos e privados, despesas realizadas e contratos vigentes.

O novo gestor também confirmou a realização de uma auditoria externa independente e convidou a Controladoria-Geral da União para fiscalizar a aplicação dos recursos. As medidas ocorrem na sequência da Operação Antidotum, deflagrada pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção e pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado.

As investigações apontaram desvios milionários em contratos de digitalização de prontuários médicos enquanto a instituição alegava incapacidade financeira de funcionamento. O desdobramento concreto da intervenção atual consiste na readequação operacional e na prestação de contas contínua para garantir a continuidade dos serviços de saúde à população.

Por Maya Santos, direto da redação