A investigação revela novos desdobramentos sobre um esquema de desmanche de motocicletas que operava em Campo Grande utilizando uma passagem secreta oculta por uma geladeira. A estrutura ligava diretamente a residência de um empresário a um imóvel vizinho, onde funcionava o centro clandestino de peças.
A operação foi deflagrada pela Polícia Civil nesta terça-feira (22), após meses de monitoramento sobre a receptação de veículos na região. O caso veio à tona quando agentes da Delegacia Especializada de Furtos e Roubos de Veículos cumpriram mandados de busca e apreensão nos endereços ligados ao grupo investigado.
Flagrante e prisões
Durante a varredura no local, os policiais civis afastaram o eletrodoméstico que vedava o acesso e encontraram a entrada camuflada para o terreno ao lado. No espaço interno, a equipe policial apreendeu centenas de motores e componentes de motocicletas de diversas cilindradas e marcas.
De acordo com o delegado Francis Freire, responsável pelo caso, dezenas de itens encontrados no galpão já foram formalmente vinculados a boletins de ocorrência de furtos e roubos recentes. O restante do material passará por perícia técnica nas próximas semanas para identificação das origens.
Esquema estruturado
O levantamento inicial conduzido pelos investigadores aponta que a rede criminosa operava na região há pelo menos dois anos. As peças recuperadas abasteciam o comércio local de reposição e também apresentavam indícios de que poderiam ser escoadas para outros mercados fora do estado.
A ação policial se estendeu a três endereços comerciais e residenciais vinculados aos suspeitos. Em meio às diligências, o empresário apontado como operador principal, sua esposa e um funcionário foram presos em flagrante pelos crimes de receptação qualificada e adulteração de sinal identificador de veículo automotor.
Próximos passos
Os três suspeitos foram encaminhados à sede da Delegacia Especializada de Furtos e Roubos de Veículos para o registro dos procedimentos legais. Eles permanecerão à disposição do Poder Judiciário enquanto a autoridade policial conclui o inquérito e afere a participação de outros envolvidos na cadeia de desmonte.
A defesa dos suspeitos, abordada no local da prisão pelas equipes de reportagem, declarou que ainda não teve acesso integral aos autos do processo e aos fundamentos da acusação. O material apreendido nos três endereços passará por inventário detalhado para subsidiar a denúncia do Ministério Público.
Por Rafael Dumas, direto da redação
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