A investigação revela novos desdobramentos sobre um esquema de desvio de recursos públicos que ultrapassa R$ 18 milhões em Mato Grosso do Sul. O Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado cumpriu três mandados de prisão preventiva e 25 mandados de busca e apreensão nesta quarta-feira, dia 7 de outubro.
As ordens judiciais foram cumpridas simultaneamente nas cidades de Campo Grande, Sidrolândia, Maracaju e Selvíria. Entre os alvos presos estão o diretor-presidente da instituição hospitalar, Jacob Breure, um assessor político e uma policial civil.
Esquema de fraudes
De acordo com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, o caso começou a ser apurado após a identificação de irregularidades em um convênio firmado entre o Estado e a Sociedade Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa. Os repasses iniciais tinham como finalidade oficial a aquisição de um aparelho de ressonância magnética e de uma autoclave hospitalar.
O aprofundamento das diligências demonstrou que as irregularidades persistiram e se ampliaram para outras áreas da unidade de saúde. O esquema criminoso passou a atingir verbas destinadas à compra de equipamentos diversos, materiais médicos, manutenção de unidade de terapia intensiva móvel e obras de reforma no prédio do hospital.
Modus operandi
Segundo os registros da investigação, a organização criminosa elaborava planos de trabalho com dados fraudulentos para viabilizar os repasses. O planejamento envolvia o superfaturamento de bens e serviços, além do direcionamento sistemático das contratações para empresas previamente alinhadas ao núcleo investigado.
Após o depósito dos recursos públicos nas contas da entidade hospitalar, o dinheiro era desviado da finalidade original. A engrenagem contava com sucessivas movimentações financeiras para ocultar a origem dos valores, incluindo repasses diretos e indiretos a agentes políticos, articuladores, intermediários e laranjas.
Obstrução da Justiça
Os elementos colhidos pelo órgão ministerial também indicam a utilização de poder financeiro por parte dos suspeitos. Conforme o Gaeco, os recursos desviados serviram para custear manobras de obstrução às investigações que já estavam em andamento.
As equipes policiais apreenderam documentos, mídias e outros materiais nos 25 endereços vasculhados durante a operação desta quarta-feira. O material passará por perícia técnica para subsidiar a denúncia criminal e identificar eventuais novos participantes do esquema de corrupção.
Próximos passos
Os três suspeitos presos foram encaminhados para unidades de custódia vinculadas aos órgãos de segurança pública do estado, onde permanecerão à disposição do Poder Judiciário. O Ministério Público informou que a análise do material apreendido na segunda fase da operação Dirty Pix continuará nos próximos dias para dimensionar o total de prejuízos aos cofres públicos.
Por Rafael Dumas, direto da redação



