Registros obtidos pelo jornal Campo Grande News mostram o momento exato em que o preso desembarca na pista do aeroporto. Vestindo calça azul, camiseta branca e tênis, o detento caminha ladeado por dois policiais penais, enquanto agentes fardados realizam o perímetro de segurança. A operação seguiu protocolos rígidos de sigilo, padrão adotado pelo sistema prisional para movimentações de alto risco.

Histórico de fugas e condenações

Antônio Arcênio acumula penas que, somadas, chegam a quase 50 anos de reclusão por crimes graves como latrocínio, tentativa de latrocínio e integração a organização criminosa.

O histórico criminal do detento ganhou projeção nacional em setembro de 2018, quando ele integrou o grupo de 92 presos que escaparam da Penitenciária de Segurança Máxima Romeu Gonçalves de Abrantes, a PB1, localizada em João Pessoa, na Paraíba. Naquela ocasião, criminosos armados utilizaram explosivos para destruir o portão principal da unidade, viabilizando uma fuga em massa.

Após anos na clandestinidade, a captura do foragido ocorreu em 27 de junho de 2021. A ação foi conduzida pela Polícia Federal em uma região de alto padrão em Campinas, no estado de São Paulo, durante diligências voltadas à localização de criminosos com mandados em aberto.

Na época da prisão, as autoridades constataram que ele mantinha vínculos estreitos com Romário Gomes Silveira, o "Romarinho", que também havia escapado da penitenciária paraibana em 2018.

Atuação em facções e esquemas

Documentos produzidos no âmbito de investigações da Polícia Federal apontam que o preso exerce papel de liderança em uma estrutura criminosa voltada ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro.

As apurações identificaram ramificações do grupo em território paraibano e em outros estados da federação, com núcleos operacionais específicos sob o comando direto de indivíduos investigados, incluindo o próprio "De Menor". Antes de ser capturado, ele também era investigado por participação em roubos a carros-fortes na região Nordeste.

A transferência para a unidade de Campo Grande insere-se no contexto de rodízios periódicos implementados pelo Departamento Penitenciário Nacional. Essas movimentações entre as penitenciárias federais de segurança máxima ocorrem de forma sigilosa para mitigar riscos de comunicação com o exterior e desarticular planos de lideranças faccionadas.

Até o momento, as autoridades não divulgaram prazos para a permanência do detento na capital de Mato Grosso do Sul nem detalhes adicionais sobre investigações correlatas.

Por Rafael Dumas, direto da redação