A investigação revela novos desdobramentos sobre um caso de violência registrado na noite da última sexta-feira (23), em uma conveniência localizada no Loteamento Rancho Alegre II, em Campo Grande. Um comerciante de 30 anos efetuou dois disparos de arma de fogo contra um homem de 39 anos, apontado por ele como autor de furtos anteriores ao estabelecimento comercial.

De acordo com o registro policial obtido pela reportagem do G1, o proprietário do local relatou às autoridades que o cliente chegou ao estabelecimento aparentando sinais de embriaguez. Houve uma discussão verbal entre os dois homens, momento em que o cliente teria ficado agressivo e iniciado uma investida com uma faca.

O comerciante afirmou à polícia que agiu estritamente para repelir uma agressão iminente contra a sua integridade física. Segundo o depoimento, ele retirou um revólver calibre .38 guardado na gaveta do balcão e disparou duas vezes na direção do suposto agressor para conter o avanço.

Apreensão e divergências

Após a chegada das equipes da Polícia Militar ao local dos fatos, o atirador entregou voluntariamente a arma utilizada no crime. Os policiais militares e civis iniciaram as diligências de praxe para verificar a dinâmica do episódio e recolher vestígios materiais no endereço da conveniência.

Durante a varredura na cena do ocorrido, os agentes de segurança não encontraram a faca que o comerciante alegou ter sido utilizada pelo homem durante a ameaça. A ausência do objeto de corte levantou questionamentos na fase inicial da investigação conduzida pela Polícia Civil do estado.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência foi acionado para prestar socorro imediato à vítima dos disparos. O homem ferido recebeu os primeiros socorros ainda no local e foi encaminhado posteriormente a uma unidade hospitalar da rede pública na capital sul-matogrossense.

Verificação de antecedentes

O caso sofreu uma reviravolta jurídica quando os investigadores consultaram os sistemas integrados de segurança pública durante o atendimento à ocorrência. Os policiais descobriram que o homem baleado possuía um mandado de prisão em aberto expedido pela Justiça.

Diante da constatação da ordem judicial pendente, o ferido passou a figurar formalmente como alvo de custódia policial no ambiente hospitalar. A prisão foi efetivada pelas autoridades competentes ainda no sábado (24), enquanto o paciente permanece internado sob escolta médica e policial.

O comerciante responsável pelos disparos foi conduzido à delegacia de plantão logo após o registro inicial da ocorrência na noite de sexta-feira. Ele foi autuado em flagrante e permanece à disposição do Poder Judiciário para a realização da audiência de custódia.

Próximos passos

A Polícia Civil dará continuidade ao inquérito policial nos próximos dias para esclarecer todas as circunstâncias que envolveram o desentendimento no estabelecimento comercial. O inquérito policial aguardará a conclusão dos laudos periciais e a recuperação clínica do suspeito de furto para a tomada de novos depoimentos oficiais.

Por Rafael Dumas, direto da redação