“Eu sinto valorização. Eu falo por uma pessoa que já foi professora em outro estado e uma professora aqui no Mato Grosso do Sul. O Estado está preocupado tanto com o financeiro quanto com a saúde emocional de seus funcionários”, afirma.

A percepção da professora aparece em um momento em que a educação sul-mato-grossense registra seus melhores resultados da série histórica do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Em 2025, Mato Grosso do Sul avançou nas três etapas avaliadas e alcançou os maiores índices desde o início da série, em 2005.

Nos anos iniciais do ensino fundamental, o indicador passou de 5,6, em 2023, para 5,9 em 2025. Nos anos finais, subiu de 4,8 para 5,0. No ensino médio, onde ocorreu o maior crescimento proporcional, o índice avançou de 4,0 para 4,4.

Considerando apenas a rede pública, o movimento também foi de crescimento: de 5,3 para 5,7 nos anos iniciais; de 4,6 para 4,8 nos anos finais; e de 3,8 para 4,2 no ensino médio.

Os números mais recentes são parte de uma trajetória que passou primeiro pelo enfrentamento das defasagens acumuladas durante a pandemia.

O governador Eduardo Riedel explica que Mato Grosso do Sul decidiu não adotar a aprovação automática dos estudantes naquele período. A opção teve reflexos sobre o Ideb, porque a taxa de aprovação integra a composição do indicador, mas evitou que alunos avançassem de série independentemente do aprendizado.

A estratégia adotada posteriormente foi concentrar esforços na recuperação da aprendizagem.

Mais de R$ 1 bilhão foram investidos nas escolas estaduais, conforme os números apresentados por Riedel. O governo também aponta investimentos em tecnologia dentro das salas de aula e políticas de valorização dos professores.

Entre os resultados destacados está a redução da repetência pela metade, acompanhada por índices mínimos de abandono escolar.

Para o secretário estadual de Educação, Hélio Daher, a mudança aparece na combinação dos indicadores de aprovação, reprovação e abandono.

“Quando a gente atinge melhores dados de aprovação, reprovação e abandono da história do Mato Grosso do Sul é a prova do investimento em acreditar na educação”, afirma.

Riedel também relaciona a estratégia educacional à decisão de ampliar a participação dos estudantes nas avaliações utilizadas para compor o Ideb.

Mato Grosso do Sul optou por avaliar mais de 80% dos alunos nas provas, buscando identificar com maior precisão quais escolas e municípios precisam de intervenção, ainda que essa estratégia não resulte necessariamente na melhor posição possível nos rankings.

Ao mesmo tempo, o governo ampliou a presença de tecnologia, laboratórios e formação profissional nas escolas estaduais. De acordo com os últimos dados, 51% dos estudantes do ensino médio estão matriculados em cursos profissionalizantes, diante de uma média nacional de 16%. São mais de 92 modalidades, oferecidas também com participação de instituições privadas e do Sistema S.

A proposta é permitir que o jovem deixe a escola não apenas com a conclusão do ensino médio, mas também com formação técnica que amplie suas possibilidades de ingresso no mercado de trabalho.

O avanço do Ideb oferece ao governo um indicador concreto para o balanço da educação, mas não elimina os problemas que permanecem.

O próprio Riedel reconhece que os melhores resultados da série histórica não significam que o trabalho esteja concluído.

“Mas ainda vamos avançar muito no aprendizado”, afirma.

É justamente nesse ponto que a experiência de quem vive a escola todos os dias ajuda a devolver significado aos índices. O Ideb mede resultados de uma rede inteira, mas, dentro dela, estão professores como Dalva Magalhães, estudantes tentando recuperar o que ficou para trás e escolas nas quais aprovação, permanência e aprendizagem precisam caminhar juntas.

Para o próximo período, a proposta apresentada por Riedel é concentrar esforços também nos primeiros anos da educação básica, fortalecendo a cooperação técnica com os municípios na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental, além de consolidar políticas estaduais de alfabetização e aprendizagem em matemática.

“A recuperação precisa começar cedo para que a dificuldade não acompanhe o estudante ao longo de toda a trajetória escolar”, afirma o governador.