A medição política traz novas diretrizes para o sistema educacional com a expansão da educação profissional por todo o território estadual. Conforme dados divulgados pelo governo estadual, a modalidade alcançou os 79 municípios de Mato Grosso do Sul ao longo de 2025. O total de matrículas chegou a 41 mil estudantes no período.
Os investimentos aplicados na área superam a marca de R$ 100 milhões, segundo o governo estadual. A iniciativa busca aproximar a formação escolar das novas vagas geradas pela expansão econômica regional. Os setores contemplados englobam celulose, bioenergia, tecnologia, logística, agroindústria e serviços.
Cerca de 45% dos alunos matriculados no Ensino Médio cursavam itinerários voltados à formação técnica e profissional. O percentual aproxima o Estado da meta estabelecida de alcançar 50%. A estratégia visa conectar os jovens às oportunidades de trabalho criadas pelo crescimento econômico recente.
A aplicação prática nas salas de aula
Essa diretriz se reflete na rotina de estudantes da rede pública estadual, como Wallison Sérgio de Souza Rosa, de 17 anos. Ele participa do Itinerário Formativo Profissional de Agropecuária na Escola Estadual Professores Clarinda Mendes de Aquino, localizada em Campo Grande. O curso funciona por meio de parceria entre a Secretaria de Estado de Educação e a Acrissul.
O estudante relata que a visão inicial sobre o trabalho no campo mudou profundamente durante os três anos de formação. A rotina que antes parecia resumida a plantar, regar e colher deu lugar a conceitos técnicos complexos. O aluno aponta a necessidade de planejamento prévio e escolha adequada das culturas e métodos de cultivo.
A estrutura curricular também abriu espaço para o desenvolvimento de outras afinidades profissionais. O interesse antigo por animais ganhou novas diretrizes técnicas voltadas para o manejo sanitário e alimentar. O aprendizado prático entre plantações e hortaliças transformou a visão do aluno sobre as perspectivas de atuação no setor.
Desafios na transição para o mercado
Apesar da ampliação expressiva das vagas, o modelo enfrenta questionamentos sobre sua eficácia a longo prazo. Especialistas em políticas públicas apontam que o principal desafio reside na absorção desses jovens pelo mercado de trabalho local. A taxa de conclusão e a efetiva inserção profissional ainda passam por avaliações rigorosas.
O governo estadual defende que a diversificação econômica do Estado justifica o aporte financeiro na rede pública. O governador Eduardo Riedel destacou que a preparação técnica na Educação Básica reduz distorções históricas entre a oferta escolar e a demanda empresarial. A política pública pretende consolidar cadeias produtivas competitivas com mão de obra qualificada.
Os desdobramentos dessa diretriz dependem do monitoramento contínuo dos índices de empregabilidade dos egressos. As secretarias estaduais planejam cruzar dados de conclusão de curso com registros formais de emprego nos próximos anos. O objetivo é mensurar se o volume de investimentos resulta na expansão sustentável da renda para a juventude sul-mato-grossense.
Por Luciana Freitas, direto da redação
