A investigação revela novos desdobramentos sobre a atuação de facções criminosas em Mato Grosso do Sul após a prisão de um foragido na noite da última quarta-feira (8).
Kelson Marinho Monteiro, conhecido como "Zoio de Gato", foi capturado por equipes do Batalhão de Choque da Polícia Militar (BPChoque) em uma área rural situada na antiga estrada que liga Campo Grande ao município de Rochedo.
A operação ocorreu na região da Cachoeira do Ceuzinho, conforme o registro policial. O suspeito, apontado pelas autoridades como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC), tentava deixar o local a bordo de um veículo modelo VW Gol quando foi interceptado pelos policiais militares.
Trabalho integrado
A abordagem foi resultado de um esforço conjunto entre as forças de segurança estaduais e federais. Informações repassadas pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO-MS) alertavam sobre a presença de um indivíduo suspeito de comercializar armas de fogo clandestinas naquela zona rural da saída para Rochedo.
Com base nos dados fornecidos pela inteligência da FICCO-MS, os policiais realizaram diligências na estrada vicinal até localizar o automóvel descrito nas denúncias. Durante a abordagem ao condutor, os militares realizaram consultas nos sistemas oficiais de segurança pública para verificar a identidade e a situação legal do suspeito.
Arma no porta-malas
A checagem confirmou que o motorista era Kelson Marinho Monteiro e que havia contra ele um mandado de prisão em aberto expedido pela Justiça. Diante da confirmação da ordem de captura, os policiais realizaram uma vistoria minuciosa no interior do veículo abordado.
Os agentes localizaram um revólver calibre .38, fabricado pela marca Smith & Wesson, escondido no compartimento do porta-malas do carro. A arma de fogo estava municiada com seis projéteis intactos e prontos para uso, segundo o boletim de ocorrência elaborado pela corporação.
Justificativa e investigações
Questionado pelas equipes policiais ainda no local da abordagem, o suspeito alegou que mantinha o armamento exclusivamente para sua defesa pessoal. A explicação, contudo, não encerrou a atuação das autoridades diante das suspeitas prévias levantadas pela inteligência policial.
O caso foi encaminhado para a Superintendência Regional da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul. Na sede da instituição federal, a prisão em flagrante foi formalizada pelo crime de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido.
Dados telemáticos
Além da autuação direta pelo flagrante do armamento, a autoridade policial encarregada do caso representou junto ao Poder Judiciário. O objetivo formalizado no pedido é a extração e a análise dos dados armazenados no telefone celular apreendido com o investigado no momento da abordagem.
A medida investigativa busca aprofundar as apurações sobre a suposta rede de venda ilegal de armas de fogo operada na região. Os investigadores pretendem mapear contatos, mensagens e eventuais transações financeiras ligadas ao suspeito.
Histórico criminal
Kelson Marinho Monteiro acumulava uma pena unificada de 12 anos, 9 meses e 20 dias de reclusão em regime semiaberto. As condenações anteriores que compõem sua ficha criminal estão relacionadas a crimes de tráfico de drogas.
Conforme os registros oficiais do sistema penitenciário, o detento rompeu as condições do cumprimento da pena e era considerado foragido desde 17 de novembro de 2025. Com a fuga, o Ministério Público e os órgãos de execução penal acionaram o Judiciário para formalizar a situação jurídica do apenado.
Regressão de regime
Diante da evasão do estabelecimento prisional, a 2ª Vara de Execução Penal de Campo Grande decretou a regressão cautelar do regime de cumprimento de pena. O mandado de recaptura decorrente dessa decisão foi emitido em fevereiro de 2026, culminando na operação policial que resultou em sua nova prisão.
Após os procedimentos de praxe na Polícia Federal, o investigado permanece à disposição da Justiça estadual e federal para responder tanto pelo mandado pendente quanto pelo flagrante de porte ilegal de arma.
Por Rafael Dumas, direto da redação



