A programação cultural traz experiências únicas para a comunidade de Bonito, mas os desdobramentos recentes na cidade envolvem a apuração de uma ocorrência trágica em um estabelecimento voltado para animais. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul abriu um inquérito civil para investigar a morte de um cão da raça yorkshire e a regularidade do Hotelzinho Peludos Resort.

O caso ocorreu no dia 2 de outubro e veio à tona após vídeos de agressões a cães viralizarem nas redes sociais.

Investigação detalhada e vistorias

Segundo dados do Ministério Público de Mato Grosso do Sul divulgados nesta sexta-feira, o inquérito visa apurar as circunstâncias que levaram o animal à óbito e verificar se o local possuía alvará e protocolo de segurança.

A fiscalização reuniu representantes da Vigilância Sanitária, da Iagro, da Prefeitura de Bonito e da Secretaria de Meio Ambiente durante vistoria realizada no dia 6 de outubro. Na ocasião, constatou-se que o hotel já havia interrompido os serviços e devolvido todos os cachorros aos tutores antes mesmo da recomendação oficial de fechamento temporário expedida pelo órgão.

O promotor Felipe Blos Orsi oficiou a Prefeitura de Bonito para que informe, no prazo de até 15 dias, se o estabelecimento contava com cadastro, alvará e licença sanitária para funcionar. O pedido também exige que uma equipe da administração municipal verifique se a atividade exercida no hotelzinho era compatível com a zona residencial onde estava instalado.

Além disso, o Imasul e o Conselho Regional de Medicina Veterinária de Mato Grosso do Sul devem apresentar documentação referente ao espaço.

Documentação exigida da proprietária

A proprietária do resort foi notificada formalmente a entregar uma série de documentos comprobatórios ao longo do processo. Entre as exigências estão alvarás, licenças, termos de responsabilidade e fichas de anamnese dos animais hospedados.

O órgão também solicitou o histórico de agressividade dos cães envolvidos, com foco no yorkshire e em um pastor australiano, além de protocolos de segregação e manejo.

A capacitação e a escala dos monitores que atuavam no local também entram no escopo da investigação conduzida pelas autoridades. A Polícia Civil conduz apuração paralela sobre os maus-tratos evidenciados nas imagens que circularam na internet. A necropsia realizada no animal deve apontar se o yorkshire morreu efetivamente após sofrer um ataque de outro cão nas dependências do hotel.

Próximos passos do processo

O estabelecimento permanece com as atividades paralisadas enquanto aguarda a manifestação formal da prefeitura e a análise dos documentos solicitados pela promotoria. A administração municipal tem o prazo estipulado para responder aos questionamentos sobre a legalidade urbana e sanitária do empreendimento.

Os órgãos fiscalizadores seguem cruzando os dados obtidos nas vistorias para concluir os relatórios técnicos que fundamentarão as próximas medidas legais.

Por Leon Vaz, direto da redação