Em destaque hoje, a adolescente Ana Vitória Nascimento Santos, de 17 anos, apontada como articuladora de uma célula do Comando Vermelho em Nova Andradina, alegou ter sofrido violência sexual praticada pelo próprio pai antes de planejar o assassinato dele.

A informação foi divulgada nesta sexta-feira (16) pelos delegados Ivan Barreira, diretor do Departamento de Polícia Especializada, e Roberto Guimarães, titular do Garras, durante entrevista coletiva realizada em Campo Grande.

O pai da adolescente, Gilson Santana dos Santos, foi executado no dia 29 de setembro. Conforme as investigações da Polícia Civil, a garota relatou o suposto abuso sexual a membros graduados da facção criminosa e obteve apoio logístico e aval do grupo para executar o agressor. Os delegados não repassaram detalhes adicionais sobre a violência relatada pela jovem.

A morte de Gilson e a chacina de quatro pessoas da mesma família no distrito de Casa Verde, em Nova Andradina, ocorrida em 19 de setembro, motivaram a operação conjunta das polícias Civil e Militar. A investida policial resultou na morte de três suspeitos na última quinta-feira (15), durante confronto em uma residência no município.

Entre os mortos na operação estavam dois indivíduos apontados como "missionários" da facção, vindos de outros estados para atuar contra integrantes de um grupo rival, o Primeiro Comando da Capital, nas cidades de Batayporã, Nova Andradina e Bataguassu.

Wemerson Costa dos Anjos, de 18 anos, era natural do Maranhão, enquanto João Lucas Santos Nunes, de 23 anos, nasceu em Jaciara, no Mato Grosso. Este último já era considerado foragido por suspeita de envolvimento em um tribunal do crime em território mato-grossense.

O terceiro óbito na ocorrência foi o da própria adolescente. Segundo a polícia, o trio reagiu a tiros no momento da abordagem e acabou baleado. No local do confronto, as equipes apreenderam três armas de fogo utilizadas pelos suspeitos e uma motocicleta sob investigação por suposto envolvimento em homicídios registrados em Batayporã.

O imóvel onde os suspeitos foram localizados continha apenas colchões e um pequeno fogão. De acordo com as autoridades policiais, a estrutura precária indica que o grupo permanecia na cidade temporariamente apenas para cumprir execuções planejadas.

A coordenação das ações e a logística da célula criminosa ficavam a cargo da adolescente, que recebia vantagens financeiras da facção em troca do suporte operacional.

A cooptação de jovens para dar apoio a executores de facções não constitui caso isolado no estado. Na sexta-feira anterior, quatro pessoas foram mortas por policiais civis e militares em Sidrolândia.

O grupo também era integrado por suspeitos ligados ao Comando Vermelho e liderado por uma mulher de 19 anos, identificada como Vanessa Thiel de Almeida, com atuação voltada a crimes contra membros do grupo rival.

Da Redação