O ciclo agrícola traz sinais de crescimento e exige atenção redobrada aos fluxos logísticos que cruzam as rodovias do Centro-Oeste brasileiro, muitas vezes utilizadas também para o transporte de cargas ilícitas. A Receita Federal e o Ministério Público Federal deflagraram nesta terça-feira a Operação Perfume de Mulher para desarticular um esquema de importação clandestina de cosméticos.

A investigação aponta que a organização criminosa movimentou mais de R$ 300 milhões com a comercialização ilegal de produtos de luxo.

As autoridades cumpriram 16 mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão preventiva expedido contra a principal suspeita de coordenar o esquema. As ordens judiciais foram executadas simultaneamente em Mato Grosso do Sul, em São Paulo e em Pernambuco. A identidade da líder apontada pelas investigações não foi divulgada pelas autoridades policiais.

Bloqueio de bens e rota clandestina

A 3ª Vara Federal de Campo Grande determinou o sequestro e o bloqueio de até R$ 100 milhões em bens dos investigados. A medida restritiva alcança também criptoativos utilizados para ocultar o capital obtido com as vendas ilegais. De acordo com o material apurado pelo Portal de Notícias, os produtos entravam irregularmente no território nacional pela fronteira com o Paraguai.

Os itens cruzavam a linha internacional pelo município de Ponta Porã antes de chegarem a Campo Grande. Na capital sul-mato-grossense, a organização mantinha depósitos estratégicos para o armazenamento das mercadorias estrangeiras. Desse ponto central, os carregamentos seguiam para centros de distribuição localizados nos Estados de São Paulo e Pernambuco.

Impacto na economia e comercialização online

O uso de Mato Grosso do Sul como rota logística e ponto de armazenamento evidencia os desafios de fiscalização nas regiões produtoras. O mercado interno sofre impactos diretos quando mercadorias sem tributação entram no circuito comercial. A estrutura contava com o suporte de empresas de fachada para dar aparência lícita ao negócio milionário.

As vendas finais ocorriam prioritariamente por meio de plataformas digitais na internet. Influenciadores digitais e perfis em redes sociais atuavam na divulgação ativa dos produtos importados, ampliando o alcance comercial do grupo. Nos canais de atendimento e venda, os investigados se apresentavam falsamente como referência nacional no segmento de perfumaria árabe.

Investigação contínua e desdobramentos

A atuação coordenada entre o Ministério Público de Mato Grosso do Sul e os órgãos federais busca agora identificar todos os beneficiários finais do esquema financeiro. Os investigadores analisam os documentos e os dispositivos eletrônicos apreendidos durante o cumprimento dos mandados judiciais.

O material coletado servirá para dimensionar a extensão da sonegação fiscal e o envolvimento de terceiros nas operações de lavagem de dinheiro com criptoativos. As equipes continuam o rastreamento dos ativos financeiros bloqueados pela Justiça Federal para assegurar a recuperação dos valores aos cofres públicos.

Por Bia Fernandes, direto da redação