O ciclo agrícola traz sinais de crescimento restrito e ajustes profundos para o setor pecuário em Mato Grosso do Sul. O estado fechou o ano de 2025 com 17,9 milhões de bovinos, registrando uma baixa de 4,3% no efetivo de animais.
O resultado representa quase 800 mil cabeças a menos em comparação com o período anterior, conforme aponta a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A retração marca o segundo recuo consecutivo no território sul-mato-grossense. Apesar da queda expressiva na contagem oficial, o estado consegue preservar sua relevância geopolítica e econômica no cenário nacional. Mato Grosso do Sul permanece firme entre os cinco maiores produtores de bovinos do Brasil, respondendo por 7,6% de todo o rebanho brasileiro.
O movimento de baixa não é exclusividade regional e reflete um ajuste mais amplo do mercado pecuário brasileiro. O levantamento do IBGE demonstra que o total de bovinos no país também recuou pelo segundo ano seguido, saindo de 238,2 milhões para 234,3 milhões de animais.
Líder absoluto do ranking nacional, o estado de Mato Grosso mantém a ponta com 31,6 milhões de cabeças, seguido pelas demais praças fortes do agronegócio.
Destaques municipais e concentração
No panorama interno de Mato Grosso do Sul, alguns municípios concentram grande parte da atividade e seguram os índices estaduais. Corumbá desponta com o segundo maior rebanho municipal de todo o país, somando impressionantes 2,15 milhões de bovinos em suas pastagens. O município pantaneiro demonstra resiliência na produção extensiva, mesmo diante de variações climáticas e pressões de mercado.
Outras localidades sul-mato-grossenses também aparecem com destaque de peso no ranking nacional de municípios pecuários. Aquidauana figura na décima primeira posição geral, registrando 845 mil animais em seu território. Pouco abaixo, Ribas do Rio Pardo ocupa o décimo quarto lugar com 782 mil cabeças, enquanto Porto Murtinho assegura a vigésima primeira colocação na lista brasileira.
Impacto em outros efetivos pecuários
A contração registrada pelo mercado não se limitou apenas à bovinocultura de corte e leite ao longo do período. O estado amargou quedas generalizadas em praticamente todas as suas principais cadeias de criação animal. O levantamento estatístico confirma reduções expressivas nos efetivos de equinos, ovinos, bubalinos, caprinos e codornas em solo sul-mato-grossense.
Entre os cavalos, a retração atingiu 8,9%, reduzindo o plantel estadual para 274 mil animais. Mesmo com essa perda de volume no comparativo anual, Corumbá garantiu a liderança isolada entre os municípios brasileiros na criação de equinos, contabilizando 34.448 animais.
Perspectivas econômicas e mercado
Esses números consolidam um cenário de reestruturação para o produtor rural no estado, que busca eficiência e produtividade por hectare. A transição de áreas e a pressão sobre os custos de produção exigem maior tecnificação do setor pecuário regional. Associações de classe e analistas de mercado acompanham o ritmo das pastagens e a oferta de animais prontos para abate.
O desdobramento prático dessa menor oferta de animais reflete diretamente na escala de abate dos frigoríficos locais e na balança comercial. As entidades representativas do setor agropecuário avaliam que a estabilização do rebanho dependerá da retenção de matrizes e da rentabilidade futura da pecuária frente à concorrência com a agricultura.
O produtor sul-mato-grossense agora recalcula as margens para manter a competitividade na exportação de carne.
Por Bia Fernandes, direto da redação


