Em destaque hoje, a presença política das famílias Name e Razuk em Mato Grosso do Sul enfrenta a possibilidade de encerramento após 40 anos ininterruptos de ocupação de cargos no alto escalão do Estado. Desde 1987, os controladores da jogatina mantiveram pelo menos um representante na Assembleia Legislativa ou no Tribunal de Contas do Estado.

A permanência dessa linhagem agora depende exclusivamente de decisões judiciais pendentes no Tribunal Superior Eleitoral.

O marco inicial da atuação dos clãs na cúpula ocorreu com a chegada de Roberto Razuk à Assembleia Legislativa em 1987. Ele cumpriu dois mandatos consecutivos até 1995. O patriarca, apontado como chefe da jogatina em Dourados e na região de fronteira, faleceu aos 85 anos em um hospital de São Paulo, vítima de infecção pulmonar.

Em novembro do ano passado, ele havia sido preso pela terceira vez durante desdobramentos de investigações sobre organizações criminosas voltadas ao controle do jogo do bicho em Campo Grande.

Após a saída de Roberto Razuk do Legislativo estadual, a família Name garantiu assento na Casa de Leis a partir de 1995 com Jerson Domingos, cunhado de Jamil Name, patriarca que morreu em 2021 no presídio federal de Mossoró. Jerson permaneceu no Parlamento por duas décadas, exerceu a presidência da Assembleia e ocupou o cargo de primeiro secretário.

Em 2014, abriu mão da reeleição para assumir uma vaga vitalícia de conselheiro no Tribunal de Contas do Estado, onde permaneceu até atingir a compulsória de 75 anos, em novembro do ano passado.

No mesmo período de 2014, a tentativa da família Name de lançar Tereza Name à Assembleia foi cancelada na véspera do pleito devido a divergências de alianças partidárias. Com isso, as duas famílias ficaram sem representação direta no Legislativo entre 2014 e 2018, embora mantivessem espaço institucional por meio do Tribunal de Contas.

Jerson Domingos retornou à disputa eleitoral no pleito recente, mas obteve 16. 884 votos, volume insuficiente para garantir uma cadeira. Além disso, seus votos foram anulados pela Justiça Eleitoral após pedido do Ministério Público devido a acusações de embaraço a investigações.

O retorno dos clãs ao Legislativo ocorreu em dose dupla em 2018, com as eleições de Neno Razuk e Jamilson Name. Ambos conseguiram a reeleição quatro anos depois, mesmo diante de investigações policiais que atingiram seus familiares.

O cenário jurídico desfavorável avançou em dezembro do ano passado, quando Neno Razuk foi condenado a mais de 15 anos de prisão sob acusação de comandar organização criminosa ligada a ataques contra rivais do setor de contravenção. Posteriormente, a anulação de votos de legenda pelo Tribunal Superior Eleitoral resultou na perda da vaga parlamentar que ele ocupava.

Sem o foro privilegiado, Neno Razuk teve a prisão decretada, foi localizado e detido pelas autoridades no início de agosto na Bolívia, onde permanece recluso. Com a anulação da votação de Jerson Domingos e a derrocada judicial de Neno Razuk, a continuidade dos grupos políticos recai sobre Jamilson Name.

Eleito pela primeira vez em 2018 e reeleito em 2022 com votações expressivas, o parlamentar obteve resultado inferior no último pleito devido ao desgaste financeiro e político de sua base, concorrendo agora sob judice.

A validação do mandato de Jamilson Name pelo Tribunal Superior Eleitoral definirá se a dinastia familiar manterá assento no Parlamento sul-matogrossense ou se o Estado registrará, pela primeira vez em quatro décadas, a completa ausência de representantes das famílias ligadas ao jogo do bicho nas esferas máximas de poder político.

Da Redação