O ciclo agrícola traz sinais de crescimento acelerado para o setor industrial em Mato Grosso do Sul, onde as indústrias de etanol de milho já processam 35% de todo o grão colhido no território estadual. De cada dez toneladas colhidas pelos produtores, pelo menos três e meia permanecem no Estado para a fabricação de biocombustível.
Os dados constam em um estudo técnico divulgado pela equipe econômica da Aprosoja/MS.
A projeção para a safra 2025/2026 aponta que as três plantas industriais em funcionamento alcançarão a marca de 2,128 bilhões de litros do biocombustível. Para atingir esse volume, o setor demanda entre 4,8 milhões e 5,3 milhões de toneladas de milho.
Essa transformação industrial altera a rota comercial do campo, que historicamente dependia da exportação do grão in natura para outros estados e mercados externos.
Expansão industrial
As unidades atualmente em operação no Estado incluem duas plantas da Inpasa, instaladas nos municípios de Dourados e Sidrolândia, além da Neomille, pertencente ao grupo Cerradinho Bioenergia, localizada em Maracaju. A unidade de Sidrolândia possui autorização oficial para fabricar 800 milhões de litros anuais e já solicitou ampliação para alcançar 1,1 bilhão de litros.
A fábrica de Maracaju, por sua vez, iniciou as atividades produtivas em janeiro de 2024 com capacidade para processar 608 mil toneladas de milho por safra.
O avanço desse parque fabril consolida Mato Grosso do Sul como o segundo maior produtor nacional de etanol de milho. A participação estadual atinge 20,92% de toda a produção do país neste segmento, segundo o levantamento da entidade representativa dos produtores. Com esse desempenho, o mercado interno ganha relevância na formação de preços e na absorção da colheita regional.
Novos investimentos
Além das unidades ativas, o setor registra novas obras e projetos licenciados que prometem ampliar ainda mais a capacidade de moagem. Um levantamento realizado pelo portal A Crítica identificou três projetos adicionais na fila de implantação, incluindo uma quarta planta já em obras e outras duas unidades licenciadas que somam investimentos anunciados de R$ 969 milhões.
No total, os aportes previstos para a instalação de novas plantas no Estado superam R$ 1,9 bilhão.
Para os produtores rurais, a proximidade com as indústrias representa uma alternativa direta de comercialização que reduz os custos com frete rodoviário. O escoamento para as usinas locais encurta a distância entre a lavoura e o centro de consumo, melhorando a margem operacional da atividade agrícola. A instalação dessas agroindústrias altera a logística de transporte nas regiões produtoras.
Desafios de infraestrutura
Por outro lado, o crescimento na demanda por matéria-prima exige planejamento logístico e produtivo por parte do setor primário. A expansão contínua da capacidade instalada impõe a necessidade de ampliar a oferta do cereal e melhorar as rodovias locais para suportar o tráfego pesado de caminhões.
Associações do setor monitoram o ritmo de plantio para garantir que o abastecimento interno acompanhe o ritmo das destilarias.
As próximas safras definirão a capacidade de suporte da infraestrutura estadual diante do apetite industrial em alta. O desdobramento prático dessa cadeia produtiva envolve investimentos contínuos em armazenagem e escoamento, fundamentais para manter a competitividade do agronegócio sul-mato-grossense nos próximos anos.
Por Bia Fernandes, direto da redação



