O ciclo agrícola traz sinais de crescimento com a segunda safra de milho de Mato Grosso do Sul alcançando a marca de 50% da produção comercializada até a última segunda-feira. O percentual foi registrado com a colheita praticamente encerrada, atingindo 99,5% da área destinada ao cereal no Estado.
Segundo boletim divulgado pela Aprosoja/MS, o ritmo das negociações está 2,5 pontos percentuais abaixo do observado no mesmo período de 2025.
A comercialização avançou 6,5 pontos percentuais na comparação com o levantamento publicado pelo site Campo Grande News em 27 de agosto, quando 43,5% da safra já havia sido negociada. Naquele momento, a diferença em relação ao ano anterior era de 3,5 pontos percentuais, distância que diminuiu no levantamento mais recente.
Enquanto as vendas avançam, a colheita entra na reta final com a retirada do cereal concluída na região norte.
As regiões centro e sul registraram 99,5% e 99,4% de área colhida, respectivamente, conforme dados da associação. Até sexta-feira, aproximadamente 2,194 milhões dos 2,206 milhões de hectares cultivados com milho já haviam sido colhidos no território estadual. A estimativa atual aponta uma produção total de 16,253 milhões de toneladas, com produtividade média de 122,79 sacas por hectare.
O volume previsto é 16,7% superior ao registrado na safra anterior, enquanto o comparativo com a estimativa inicial de 11,139 milhões de toneladas aponta um crescimento de 45,9%. Esse excedente de produção encontra suporte no mercado interno, onde três usinas de etanol de milho em Mato Grosso do Sul já consomem mais de um terço do grão colhido.
De acordo com informações do portal A Crítica de Campo Grande, essas unidades industriais devem produzir 2,128 bilhões de litros e consumir até 5,3 milhões de toneladas de grão, com outras três plantas na fila de instalação.
Valorização da saca
O preço do milho apresentou alta no mercado físico estadual, impulsionado pela demanda robusta da indústria de transformação e pelo ritmo das exportações. No dia 21 de setembro, a saca de 60 quilos foi negociada, em média, por R$ 54,83, valor 0,92% maior que o registrado na semana anterior.
Na média calculada entre 14 e 21 de setembro, a cotação ficou em R$ 54,40 por saca, representando um aumento de 6,4% frente aos R$ 51,13 do mesmo período de 2025.
Dourados apresentou a maior cotação entre os municípios acompanhados pelo boletim, com a saca comercializada a R$ 56. Em Chapadão do Sul, Maracaju e São Gabriel do Oeste, o valor praticado foi de R$ 55, enquanto Campo Grande e Sidrolândia registraram R$ 54 por saca.
São Gabriel do Oeste também se destacou ao apresentar a maior valorização no período, com um avanço de 3,77% nas cotações.
A circulação desse volume expressivo de grãos pelas rodovias estaduais também exige atenção das autoridades de segurança pública e fiscalização logísticas. Uma operação da Polícia Rodoviária Federal realizada na BR-376, em Vicentina, resultou na apreensão de 5,28 toneladas de maconha ocultas em uma carga de milho transportada em um rodotrem, conforme noticiado pelo portal G1.
O motorista foi preso em flagrante após apresentar contradições durante a abordagem policial de rotina na rodovia.
Desdobramentos logísticos
O escoamento da safra recorde exige monitoramento constante das rotas de transporte que ligam as regiões produtoras aos centros de consumo e aos terminais de exportação. A intensidade do fluxo de caminhões carregados com o cereal pelas estradas estaduais acompanha o ritmo acelerado da industrialização local do milho.
Com a colheita encerrada em quase totalidade, o foco dos produtores rurais volta-se agora para a entrega dos volumes contratados e para o planejamento do próximo ciclo agrícola.
Por Bia Fernandes, direto da redação



