O ciclo agrícola traz sinais de crescimento desafiadores para a apicultura sul-mato-grossense, pressionada por intempéries severas e oscilações térmicas ligadas ao fenômeno El Niño.
Neste ano, as colmeias da família Dallasta ficaram sem a tradicional florada de primavera, período que sustenta o volume principal da safra.
Segundo relatos da empresária Maria Dallasta ao programa Giro Estadual de Notícias, o regime pluviométrico irregular alterou o calendário botânico da região.
Houve chuvas intensas nos períodos de estiagem e secas prolongadas quando o solo deveria receber umidade.
O resultado compromete a oferta de matéria-prima para o mercado interno e projeta um cenário de escassez para os próximos anos.
As flutuações climáticas afetam diretamente o trabalho das abelhas e reduzem a produtividade por colmeia.
Impacto na produção e no mercado
Dados do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima do Estado indicam que a atuação de um El Niño de forte intensidade intensificou as altas temperaturas e os temporais.
Essa instabilidade afeta a flora silvestre e cultivares essenciais para a pecuária apícola.
Conforme aponta a apicultura local, a coloração e o tipo do mel refletem a origem botânica exata das plantas visitadas.
Exemplos disso são o mel claro de cipó-uva e o mel escuro extraído da aroeira.
A escassez dessas fontes florais restringe a diversidade e o volume colhido pelos produtores rurais.
A empresária destacou que o mercado sentirá os reflexos dessa quebra de safra de forma prolongada.
Para os consumidores, a menor oferta de mel puro tende a pressionar os preços nas gôndolas e estabelecimentos comerciais.
Tradição e adaptação no campo
Com uma trajetória de quase quatro décadas na atividade, a família Dallasta precisou reestruturar o modelo comercial para mitigar as perdas financeiras.
A comercialização passou a ocorrer de forma direta com o consumidor final após o período crítico da pandemia de COVID-19.
Além da produção convencional em áreas rurais do estado, o manejo também ocorre em zonas de vegetação nativa do Pantanal.
Essa região pantaneira obteve recentemente o reconhecimento de indicação geográfica, processo que contou com o apoio institucional do Sebrae/MS.
A certificação valoriza a origem e as características físico-químicas do mel regional, agregando valor ao produto no mercado competitivo.
Apesar das garantias de qualidade proporcionadas pelas especificidades geográficas, os apicultores seguem dependentes do comportamento da atmosfera.
Os desdobramentos dessa quebra de safra exigem investimentos em manejo nutricional das colônias e planejamento financeiro rigoroso.
Os produtores agora monitoram as previsões meteorológicas para tentar resguardar os enxames restantes e minimizar os prejuízos na próxima temporada de coleta.
Por Bia Fernandes, direto da redação


