A medição política traz novas diretrizes sobre a condução do pleito estadual após o encerramento da votação do segundo turno em Mato Grosso do Sul às 16h deste domingo. O Tribunal Regional Eleitoral do estado não adotou a extensão de duas horas determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, para todo o país.
Segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral, a medida nacional não foi implementada porque o órgão não recebeu nenhuma comunicação oficial da corte superior ou do Tribunal Superior Eleitoral até o fechamento das urnas.
O auxiliar da Vice-Presidência e Corregedoria do TRE-MS, Olivar Augusto Conneglian, explicou ao Correio do Estado que as informações sobre a decisão chegaram ao tribunal estadual apenas pela imprensa, após o horário limite das 16h. Nesse momento, os boletins de urna já haviam sido emitidos pelas mesas receptoras.
Conneglian destacou que o tribunal seguiu os procedimentos previstos na legislação porque não havia registro de filas nos locais de votação sul-mato-grossenses.
Operação nos locais de votação
Na Escola Estadual Vespasiano Martins, em Campo Grande, a votação foi encerrada pontualmente, conforme apuração do Correio do Estado. Mesários e presidentes de seção relataram ausência de qualquer diretriz oficial para prolongar o funcionamento dos equipamentos.
Um advogado ouvido pela reportagem apontou que, após o fechamento da urna eletrônica, a reabertura técnica é inviável, restando apenas o uso eventual de cédulas de papel mediante autorização específica da Justiça Eleitoral.
O universo eleitoral do estado contava com 2.024.884 eleitores aptos a votar, sendo 640.427 apenas na capital. Conforme os relatórios oficiais do TRE-MS, 38 urnas eletrônicas apresentaram falhas técnicas durante o processo. Desse total, 13 equipamentos precisaram ser substituídos em definitivo, enquanto os demais passaram por reinicialização ou troca de bobinas de papel.
Ocorrências registradas
As falhas nos equipamentos foram contabilizadas em diversos municípios, incluindo Campo Grande, Dourados, Três Lagoas, Ponta Porã, Corumbá e Coxim. Em Chapadão do Sul, uma ocorrência atípica envolveu a obstrução mecânica das teclas de uma urna com cola. A situação foi documentada em ata oficial após verificação na cabine de votação e exigiu a troca imediata do terminal eletrônico.
A administração pública e os órgãos de segurança estadual atuaram para apurar a ocorrência em Chapadão do Sul com base nas imagens das câmeras de segurança do local de votação. A Polícia Civil assumiu a investigação para identificar o autor do dano ao patrimônio eleitoral.
O TRE-MS mantém o monitoramento da apuração oficial dos votos e aguarda desdobramentos jurídicos sobre a divergência de horários entre as decisões federais e a execução regional.
Por Luciana Freitas, direto da redação



