A medição política traz novas diretrizes sobre o comportamento do eleitorado em Mato Grosso do Sul durante o segundo turno das eleições presidenciais. Embora o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, tenha conservado a maioria dos votos válidos no Estado, o crescimento expressivo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reconfigurou o cenário político local.
Conforme dados oficiais divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral, Flávio registrou 59,60%, o equivalente a 927. 892 votos, superando os 58,60% obtidos na primeira etapa do pleito.
Em contrapartida, o candidato petista avançou 5,72 pontos percentuais em território sul-mato-grossense, saltando de 34,68%, que representavam 516.855 votos, para 40,40%, totalizando 628.973 eleitores. Em termos absolutos, o crescimento de Lula no Estado alcançou 21,69%. Esse incremento ajudou a absorver boa parte da redução da abstenção registrada no país durante o segundo turno.
Desempenho no interior e queda bolsonarista
O levantamento estatístico aponta que o candidato do PL obteve um acréscimo de 54. 541 novos votos em todo o Estado. No entanto, o avanço do adversário foi mais que o dobro, somando 112. 118 novos eleitores em solo sul-mato-grossense.
Um dos principais indicadores dessa mudança foi a retração de Flávio Bolsonaro em 29 municípios, o que corresponde a 36,7% das cidades do Estado, onde o candidato teve percentual inferior ao registrado no primeiro turno.
Em Corumbá, considerado o quinto maior colégio eleitoral sul-mato-grossense, o cenário se inverteu numericamente. Na cidade, o senador teve 12 votos a menos no segundo turno e acabou derrotado por Lula, que conquistou 50,73% dos votos válidos contra 49,27% do adversário.
Ao todo, o candidato do PT terminou a disputa à frente em dez municípios do Estado, superando a marca de seis cidades onde havia vencido na etapa inicial.
A lista de municípios onde Lula obteve maioria no segundo turno inclui Corumbá, Miranda, Dois Irmãos do Buriti, Selvíria, Taquarussu, Vicentina, Itaquiraí, Japorã, Tacuru e Paranhos. Nos polos regionais, a tendência de maior crescimento proporcional do candidato petista também se confirmou de forma consistente.
A dinâmica na Capital e nos grandes colégios eleitorais
Em Campo Grande, principal praça eleitoral do Estado, o desempenho de Lula apresentou um ritmo de expansão superior ao do concorrente. Na Capital, o candidato do PT somou 39.265 votos a mais no segundo turno, enquanto Flávio Bolsonaro registrou um acréscimo de 23.195 votos na mesma base comparativa.
O padrão verificado na Capital repetiu-se nos principais centros do interior, a começar por Dourados, o segundo maior colégio eleitoral sul-mato-grossense. Naquele município, Flávio Bolsonaro oscilou de 61,7% para 62,7%, angariando 5.690 novos votos. Paralelamente, Lula saltou de 31,4% para 37,3%, somando 10.110 votos adicionais, o que representou quase o dobro do crescimento obtido pelo adversário na mesma localidade.
Em Três Lagoas, o comportamento do eleitorado seguiu a mesma diretriz de avanço petista amparado pela redução do absenteísmo. Enquanto o candidato do PL permaneceu praticamente estagnado, passando de 58,6% para 59,0% com 3.098 novos votos, o candidato do PT subiu de 34,1% para 41,0%, incorporando 6.298 votos extras.
A região de fronteira também refletiu essa movimentação no panorama político estadual. Em Ponta Porã, Flávio Bolsonaro registrou leve oscilação negativa de 62,7% para 62,6%, embora tenha contabilizado 1.918 votos absolutos a mais. Em contrapartida, Lula avançou de 31,6% para 37,4%, garantindo 4.108 votos adicionais e absorvendo a diminuição dos eleitores que deixaram de votar.
Cidades como Naviraí, Paranaíba, Nova Andradina, Sidrolândia e Aquidauana repetiram o movimento de expansão expressiva do eleitorado lulista. Em Naviraí, o candidato do PT subiu para 35,4%, enquanto o senador fechou com 64,6%. Em Paranaíba, o índice petista foi a 41,6% e o do candidato liberal alcançou 58,4%.
Os desdobramentos dessas movimentações regionais consolidam uma nova distribuição de forças políticas no Estado para os próximos ciclos de disputa.
Por Luciana Freitas, direto da redação



